podcast: eleições

Dois comentários sobre eleições passadas e especificamente sobre a de 1955. Clique aqui & aqui.

Foram ao ar na Rádio Metrópole de Salvador respectivamente nos dias 6 e 14 de janeiro de 2010.

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István Jancsó

Hoje morreu o historiador e professor István Jancsó.

István era professor no curso de história da Usp e, nos últimos anos, estava vinculado ao Ieb — Instituto de Estudos Brasileiros.

Durante 12 anos fomos colegas. Tivemos raras conversas nesse período.

De István lembro duas passagens, mas elas são decisivas.

Em fevereiro de 1999 eu acabara de ingressar no departamento de história. Numa reunião, Fui apresentado formalmente aos demais professores, que obviamente me ignoraram. István se levantou de sua cadeira, com a dificuldade de locomoção que tinha, veio até mim e disse: “Sei que é sempre difícil começar a trabalhar aqui. Se precisar de alguma coisa, me procure.”

No dia 11 de setembro de 2001, outra reunião ocorria e o emaranhado habitual de questões burocráticas tomava conta da cena. A porta se abriu, István colocou o rosto na sala e avisou: “Um atentado terrorista atingiu Nova York. O World Trade Center está caindo. Na secretaria há uma televisão ligada, mostrando tudo.”

Depois que ele saiu, a reunião prosseguiu do ponto em que ele a interrompera, como se o mundo lá fora não existisse. Eu disfarcei um pouco, saí e fui para a secretaria, ver o que estava acontecendo. Quando cheguei lá sozinho, ele me olhou rapidamente e comentou: “Não sei o que é mais espantoso: o que está acontecendo em Nova York ou o fato de ninguém por aqui se interessar por isso.”

Se ele não fosse um pesquisador e professor reconhecido, essas duas cenas bastariam para que o respeitasse e admirasse sempre.

Hoje à noite tenho que dar aula. Talvez alguém achasse que, em virtude de sua morte, as aulas no curso de história da Usp deveriam ser suspensas. Eu acho que não.

Não consigo supor homenagem maior a esse colega que mal conheci do que dar aula e manter aberto, sempre, o espaço de diálogo, reflexão e discussão.


Tradução, plágio & processo


Os problemas de tradução, no Brasil, são antigos.

Quem lê sempre, e muito, inevitavelmente se depara com traduções mal feitas, erros crassos e frases sem pé nem cabeça. Daí você pensa como deve ser no original e descobre o que o autor quis dizer e se perdeu na passagem.

Outro drama é o plágio em tradução, algo raramente percebido.

Agora a questão vem à tona, trazida por Denise Bottmann, excelente tradutora, que enfrenta processo judicial por apontar incríveis semelhanças entre duas traduções de um mesmo livro.

Vale a pena acompanhar a discussão no blog “Não gosto de plágio”.

E para quem estiver disposto a apoiá-la, assinar o manifesto (aqui).

Eu já assinei.


Breve nota

Uma breve nota.

A primeira resenha publicada em Paisagens da Crítica foi do único policial de Luiz Alfredo Garcia-Roza cujo protagonista não é Espinosa: Berenice procura.

Com ela, o blog nasceu, há quatro anos, no dia 30 de novembro de 2005.

De lá para cá, mudou de endereço, saindo do Uol e vindo para o WordPress.

De lá para cá, foram publicados 238 textos (204 meus e 34 de amigos queridos).

Desde abril de 2008, passei também a colocar links para meus comentários na Rádio Metrópole de Salvador: até hoje, 82 podcasts.

O mais importante: os acessos que o blog teve nos dois endereços já ultrapassaram os 110 mil (quase 56 mil no Uol, mais de 59 mil no WordPress).

Isso é que é bacana. Ainda mais num país em que se supõe que livro é artigo de segunda necessidade, em que os livros custam muitíssimo caro e em que não há políticas públicas consistentes de incentivo à leitura. Prova de que tem, sim, muita gente interessada em leitura. E poderia ter mais.

Último comentário. Infelizmente não pude publicar muitas resenhas em 2009. O carrossel da vida dificultou tudo: muito trabalho e o fechamento de uma longa pesquisa. Mas se promessa vale alguma coisa, digo que 2010 será diferente. Principalmente depois de maio, o blog receberá atenção equivalente à alegria que me dá de escrevê-lo.

Obrigado a todos que um dia passaram por aqui. E obrigado maior ainda àqueles que passam sempre. Sigamos.

*

Paisagens da Crítica fica em recesso por um mês. Até o início de fevereiro.