A droga da obediência, de Pedro Bandeira

 

Para minha filha, sol de todos os meus olhares, no dia de seus dez anos

 

 

A droga da obediência foi publicado faz muitos anos. Em 1984, para ser mais exato.

 

Não vou listar aqui tudo que me liga ao livro, entre pessoas e lugares de que ele fala direta ou indiretamente.

 

Apenas lembro que o li pela primeira vez em 1985 ou 86. Eu já era adulto, 20 e poucos, e o livro era voltado ao público infanto-juvenil. Mesmo assim gostei da trama bem montada, da capacidade de compreender o mundo de quem tem 8 ou 13 anos, dos personagens que compõem “Os Karas” – grupo de jovens responsável pela investigação de uma trama complexa, com ares de ficção científica e forte metaforização dos riscos que cercam as crianças.

 

Pedro Bandeira, o autor, voltou a escrever aventuras da turma em outros quatro livros: Pântano de sangue, Anjo da morte, A droga do amor e Droga de americana! Todos fizeram sucesso.

 

De 84 para cá houve algumas reedições de A droga da obediência. A que está na minha mão, de 2003, indica 3ª edição e 198ª (!) reimpressão. Depois disso, deve ter havido outras. Num país que lê pouco e mal. Um fenômeno.

 

No mesmo tempo, porém, as crianças mudaram. O perfil do garoto ou da garota de 10 anos, em 84, é dinossáurico perto dos perfis atuais da mesma idade. Os gostos, que também têm sua história, também mudaram. Junto com os medos, de pais e filhos. Com as angústias e os laços de amizade – tema essencial do livro.

 

Vinte e cinco anos depois, resolvi relê-lo, temeroso. Será que A droga da obediência continuava a funcionar? Ou será que envelhecera enquanto seus leitores mantinham o frescor da quase-pré-adolescência?

 

E será que eu conseguiria perceber a diferença, agora aos 40 e poucos anos?

 

Antes de ler, dei um exemplar de presente à minha filha de nove anos.

 

Ela leu página a página, linha a linha. E soltou o veredicto: O melhor livro que já li.

 

Até também reli, mas nem precisava. A prova dos nove (e dos nove anos) tinha comprovado que os tempos e as vontades podem mudar, mas A droga da obediência continua atual e bom.

 

Pedro Bandeira. A droga da obediência. São Paulo: Moderna, 2003

 

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