Sobre as biografias

 

Por mais repetitivo que pareça (creio que todos os interessados e alguns dos não interessados estão acompanhando o debate), reproduzo abaixo quatro links de textos que tratam dessa estapafúrdia polêmica acerca das biografias:

 

Mário Magalhães (contando uma triste, alegre e edificante história pessoal e profissional)

 

Chico Buarque (atacando, entre outros, Paulo César de Araújo, biógrafo de Roberto Carlos)

 

Luiz Schwarcz (respondendo a Chico Buarque)

 

Paulo César de Araújo (desmentindo, com a devida comprovação, Chico Buarque)

 

Paulo Roberto Pires (sobre a abrangência da discussão) – link sugerido por Barbara, que leu o post e, nos comentários, sugeriu esse ótimo texto

 

(Basta clicar nos nomes dos autores.)

 

 

Pena não poder reproduzir aqui os tuítes de Lira Neto (@liraneto) que, de 140 em 140 caracteres, deu respostas categóricas a todas as frágeis questões trazidas à tona pelos desventurados defensores da censura prévia.

 

9 pensamentos sobre “Sobre as biografias

  1. ontem o metrópolis da tv cultura discutia o tema e um entrevistado lembrou que já há leis contra calúnia. q se alguém achar que é injúria, calúnia, é só abrir um processo. portanto não há pq criar uma lei de censura. o brasil é retrógrado com biografias, temos pouquíssimas. em outros países o mesmo biografado tem várias sobre ele, dá pra comparar, questionar. aqui o pouco que tem querem censurar. lá há réplica, tréplica, o que só enriquece. aqui é esse silêncio histórico abominável. depois volto pra ler esses textos. beijos, pedrita

    • Pedrita,
      sim, isso vem sendo lembrado insistentemente por editores e autores: há leis contra calúnia e difamação.
      Abraços,
      Júlio

      Buca,
      tudo bem?
      Compreendo, claro, quão infernal pode ser a invasão da privacidade. Mas a proposta desses artistas, se levada a cabo, inviabilizaria a pesquisa histórica como um todo, não só as biografias.
      Além disso, a ação pública dessas pessoas (um livro, um disco, um show…) também é o que as torna suscetíveis à curiosidade alheia e, em tantos casos, gera lucros e dividendos. Essa mesma ação provoca efeitos que não se resumem a elas: afetam a muitos outros e têm sentido mais amplo – passa-se, assim, da esfera do indivíduo para a do cidadão, para o âmbito público.
      Creio, ainda, que haja, no caso, uma diferença substantiva: Salinger sempre buscou preservar sua vida pessoal; jamais buscou os holofotes da mídia, nem plantou notícias sobre sua vida pessoal em revistas de fofoca; jamais se valeu de eventos pessoais para obter sucesso em sua carreira artística ou beneficiar-se financeiramente. Em resumo, ele sempre evitou usar sua figura pública para obter vantagens privadas, e não desejava que sua vida privada se tornasse publicamente conhecida: uma coerência invejável, que não passa nem perto da atitude de alguns dos que agora pretendem inviabilizar a pesquisa histórica no Brasil.
      Abraços,
      Júlio

  2. É uma polêmica e tanto. Acho que essa proposta de lei que recebeu o nome fantasia de “lei roberto carlos” atravessada em vários pontos (herdeiros virarem detentores dos direitos, pagamento para os biografados) mas ainda assim levanta um ponto importante sobre o direito à privacidade. O autor com quem eu trabalho (J.D. Salinger) passou a vida toda brigando na justiça para que não tivesse sua vida íntima exposta. Conseguiu algumas vezes, como na biografia de Ian Hamilton, que não pôde usar suas cartas. Entendo o lado de quem luta pela liberdade de expressão, mas também entendo o lado de artistas que não querem ter momentos difíceis espalhadas aos quatro ventos.

    • Alexandre,
      tudo bem?
      Não tenho ideia. Talvez, mais do que a vontade de esconder algo, haja uma sensação de plenipotência, de se sentir diferente – o que é bem pior do que esconder coisas.
      Abraços,
      Júlio

  3. eu gostei muito – muito mesmo – deste texto publicado no blog do instituto moreira salles essa semana sobre o assunto: http://www.revistaserrote.com.br/2013/10/porque-e-preciso-dizer-sim-ou-nao-por-paulo-roberto-pires/

    não é dito em canto algum, mas fico pensando nessas instituições como o ims, o cpdoc, o ieb… que acumulam materiais fantásticos sobre vidas de pessoas e nos quais tantos pesquisadores passam boa parte de suas vidas, buscando em materiais coletado na vida privada de indivíduos a possibilidade de criar interpretações para processos muito mais amplos.

    para além de todos os absurdos do ‘procure saber’ ou da incongruência de querer participar do lucro gerado pelos livros, mas não haver questionamento sobre os tablóides que diária ou semanalmente desvelam idiotices privadas de tantas celebridades, me espanta a ignorância do filho de um dos grandes historiadores que o brasil teve (e o que me incomoda pessoalmente é que justo ele fundou o ieb, instituto onde eu aprendi muito no contato com a documentação que ele abriga).

    • Barbara,
      tudo bem?
      Muito obrigado pelo comentário. Gostei, também do texto do Paulo Roberto Pires e o acrescentarei à lista de links que indiquei anteriormente.
      De fato, a discussão é muito mais ampla e seus efeitos atingem o conjunto da pesquisa histórica.
      Abraços,
      Júlio

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