Aprendendo


Ando por duas universidades paulistanas. As melhores. Numa delas dei aula por treze anos. De lá são muitos de meus amigos. Na outra, fiz toda minha formação e trabalho há mais de dez anos. Ouço, em ambas, muitas críticas aos reitores e notícias empolgadas sobre greves recentes. Mas e o Sarney, o Lula, o Collor e o Renan? E a censura ao Estado? Coisas normais da política, me explicam, antes de voltar a falar da revolução irreversível que se trama na aldeia. Todo o mundo é lá dentro.


Entro num táxi e, nos quinze minutos da corrida, o motorista me explica, com lógica perfeita e incontestável, por que trocou dois empregos como professor pelo volante de um táxi noturno. Mais dinheiro e, creia, mais segurança.


Duas breves aulas de Brasil.

5 pensamentos sobre “Aprendendo

  1. esses dias eu pensava sobre o nosso vice. ele está doente. o lula viajando e eu fiquei pensando q é a terceira pessoa q assume a presidência na ausência dos dois.

    o lula apertou a mão do collor e uma semana depois decidiu reduzir o rendimento da poupança. coincidência?

  2. Muito corajoso seu depoimento, Júlio. E pensar que estamos aqui do ladinho do Chavez, que vê nas universidades e escolas um perigo ao seu plano de poder.

    abs

    • Obrigado, Giovanna.

      Mas não é coragem, não.

      Como diria Fernando Pessoa, o que há em mim é sobretudo cansaço.

      De falar o que para quase todo mundo são óbvias. Da arrogância de quem se acha acima e além do mundo real. Da infertilidade de tantas coisas que acontecem na academia. Da desconsideração de que universidade tem que ser espaço de diversidade, de aceitação e celebração do dissenso. Dos discursos que defendem a universidade pública (sim, também sou a favor), mas acreditam que isso signifique apenas gratuidade no ensino, e não esforço de pensar junto com a sociedade.

      Cansaço.

      Abraços,
      Júlio

  3. Oi Júlio,

    Concordo com você quando diz que o cansaço bate na hora que vemos que a lógica se contradiz e que o absurdo se torna uma prática rotineira na nossa sociedade.

    Mas, por outro lado, nós não devemos largar as nossas chuteiras. A prorrogação deste “jogo” virá e nos dará mais voz! Assim espero!

    Abraços,
    Fatima

    • Fatima,
      tudo bem?
      A questão é que, após 23 anos de academia (só como professor, imagine!), bate o cansaço.
      Mas passa, claro.
      Beijos,
      Júlio

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