podcast: Dia da Vitória

No link abaixo, comentário em podcast na Rádio Metrópole de Salvador sobre 8 de maio, o Dia da Vitória.

O comentário foi ao ar ontem, sexta-feira, dia 8 de maio.

http://www.radiometropole.com.br/objetos/audios/08-05-09_comentario_julio_pimentel_8_de_maio.mp3

 

3 pensamentos sobre “podcast: Dia da Vitória

  1. Um livro

    Comprei um livro,um livro maravilhoso,cheio de memórias de uma criança do início do século passado.Uma criança pobre,que passava necessidades,que não estudou;saiu da escola aos 8 anos,literalmente,pela janela,que patinava como ninguém com apenas um pé de patins porque não podia comprar um par de patins mas que não se tornou bandido nem um pária para a sociedade.
    Uma criança de outra época,quando não havia carros,video games,televisão;uma criança que tinha em casa a maior riqueza que se pode ter,tinha amor em sua família.
    E o amor era tanto que os irmãos foram para a vida juntos e quando um deles,viciado em jogos,se via em dificuldade,os outros o ajudavam.
    Há relatos comovedores,quando ele se lembra de Papai Noel.Papai Noel é uma das figuras mais cruéis com as crianças pobres,que sonham com um brinquedo que não chegará nunca.
    Aqui ele relata o seu desencanto com Papai Noel:”Na época do Natal,as casas de arenito do outro lado da rua ficavam ainda mais remotas do meu mundo de apartamentos.Grinaldas de azevinho apareciam nas portas e nas janelas e à noite eu podia ver as árvores de natal no interior,brilhando com as luzes de velas.Fiquei fascinado com a lenda de Papai Noel mas disse a mim mesmo que era tudo um monte de baboseira irlandesa.
    Ainda assim,na noite de 24 de dezembro,um mês depois do meu nono aniversário,decidi dar a Papai Noel uma oportunidade de praticar uma boa ação.Pendurei uma de minhas meias no túnel de ventilação,debaixo da janela.O túnel de ventilação era a coisa mais próxima de uma chaminé em nossa casa.Talvez ainda melhor.Havia muito mais espaço para um velho gordo e jovial descer pelas paredes.
    Na manhã de Natal a minha meia ainda estava vazia.Não contei aquilo a ninguém.Estava envergonhado demais para que ainda me tratassem de trouxa.
    No entanto,um ano depois,quando vi o azevinho nas casas de arenito e as velas tremeluzindo nas árvores de natal,engoli o meu orgulho e pendurei a meia de novo.Desta vez,para fortalecer a minha fé,confessei a Chico naquela noite o que tinha feito Chico sabia tudo sobre o esquema das meias no Natal mas disse:”você tem que calcular as chances.Imagine quantos túneis de ventilação na rua 93,e ainda no resto da cidade,Papai Noel tem que visitar numa só noite.Então imagine que ele tem de cuidar dos irlandeses,dos eslavos e dos italianos antes de chegar aos judeus.Certo?Então que tipo de chances são essas?”
    Chico estava sendo sensato e convincente.Aindas assim era uma questão de fé versus matemática.
    Uma centelha teimosa de esperança ainda ardia dentro de mim.Deixei minha meia no túnel de ventilação.Na manhã seguinte Chico me surpreendeu.Pegou a meia antes que eu o fizesse.Quando a encontrou vazia,ficou desapontado e magoado.Embolou a meia e a jogou sobre mim.”Quando é que vai aprender?”disse.”Quando vai aprender que não se pode ir contra as probabilidades?”
    Esse menino maravilhoso,cheio de sonhos,pobre mas cheio de amor,foi Harpo Marx.Um menino de outra época,época em que embora pobres,as pessoas tinham amor,tinham respeito uns pelos outros.
    O Chico Marx,seu irmão mais velho,foi jogador a vida toda e os irmãos fizeram até filmes para pagar suas dívidas.
    Assim,quando vejo Harpo em seu personagem clown sentado na calçada,assobiando uma música enquanto descasca uma banana cuja casca tem zíper,quando o vejo fazendo caretas,correndo atás das moças,sei agora que ali tem um ator cuja infância,embora pobre,foi de uma riqueza imensa e aí é impossível não gostar dele.Harpo é o meu Marx preferido e no fundo fico feliz porque ele foi uma pessoa de outro tempo,de um tempo onde as pessoas ainda sonhavam e ainda acreditavam umas nas outras.
    O livro é Harpo fala…de Nova York,dele e de Rowland Barber,editora José Olímpio.

  2. Julio,encontrei o seu blog no google e vi o seu comentário sobre o livro Harpo fala…de Nova York.Pensei em deixar-lhe minhas impressões sobre o livro e gostei de ler a sua.
    Tem outro livro na internet,com mais páginas,mas é em inglês e eu não sei inglês.Vc sabe de outro livro sobre ele?

    • Neide,
      obrigado por seu comentário, pelo trecho citado e pelas imagens.
      Não conheço outros livros. Já li alguns livros de/sobre Groucho que, evidentemente, falam também de Harpo. Mas essa “autobiografia” é o único título dele que conheço.
      Os Irmãos Marx são fabulosos, é claro. Tenho quase todos os filmes deles aqui em casa e, atualmente, me esforço para que minha filha goste deles. Humor que tem tudo.
      Abraços,
      Júlio

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