Leite derramado, de Chico Buarque

 

Leite derramado exige, antes de qualquer comentário, uma conversa prévia. A dois, apenas: você, leitor, e eu.

 

Imagine que você acabou de chegar de um lugar intocado pela poderosa máquina de divulgação dos lançamentos da editora. Talvez de um país estrangeiro.

 

Imagine, também, que você é alheio às notícias do mundo do entretenimento e da música popular; que só conhece a clássica e, vá lá, o jazz.

 

Imagine, ainda, que você não tem vínculo político com qualquer grupo político, nem se interessa pela instrumentalização da ficção ou pelo repertório de valores, mitos e crenças de partidos, facções e panelinhas acadêmicas.

 

Imagine, finalmente, que você gosta de ler e tem algum conhecimento da ficção produzida no ocidente nos últimos, digamos, cinqüenta anos.

 

Imagine, para completar (ufa!), que você pousou nesse instante, vindo desse lugar inimaginável, e caiu numa livraria, onde comprou Leite derramado. Curioso diante da capa sóbria e duplicada e da bela edição, você resolve lê-lo – afinal, desconectado da mídia e dos clubismos, sobra-lhe bastante tempo para que leia tudo, ou quase tudo, que lhe chega perto.

 

E você o lê, do princípio ao fim, sem saltar uma palavra ou um capítulo.

 

Agora, me diga: o que achou?

 

Sei: a leitura é fluida e agradável. Que bom! O autor sabe, sobretudo, criar e manejar metáforas e é a predominância delas que caracteriza seu estilo. A ponto de impor-se sobre o desenvolvimento da trama e compensar os vazios na estrutura narrativa. É?

 

Entendi: você acha que é um bom livro, que vale pelo divertimento das duas ou três horas que dura a leitura. Que beleza! Mas como assim “vai esquecê-lo logo”? Por quê?

 

Ah, você achou que o título é um clichê? E que os personagens são caricaturais e superficiais? Sei, sei. E também achou que a fragmentação do relato e a variação entre temporalidades são recursos inteligentes, mas meio óbvios? Que eles facilitam a escritura porque tornam desnecessário o encadeamento da narrativa? Entendi, entendi.

 

Mas me conte uma coisa, leitor imaginário: você não acha que só um gênio literário pensaria colocar a voz narrativa num personagem moribundo que, ainda por cima, simboliza a elite decadente de um país miserável?

 

Não acha? Como não?

 

Ah, a ficção está cheia de leitores moribundos que alternam temporalidades em seu relato do passado? Ah, Philip Roth escreveu, faz pouco tempo, um livro exatamente assim? Não diga! E o narrador de Philip Roth é mais complexo e sua narrativa, bem melhor articulada. Puxa…

 

Mas lhe garanto, leitor querido, que Roth não colocou seu personagem na história. Tenho certeza de que ele se manteve no registro da intimidade, nunca no terreno pantanoso do coletivo! Ah, colocou? E a história não precisava ser ostentada para que o leitor percebesse? Claro, claro. Só que isso exige um leitor mais atento, não é? Bom, pelo menos nesse ponto concordamos.

 

De qualquer forma, caro leitor imaginário, a perspectiva sobre a elite hegemônica decadente é corrosiva, não é?

 

É mesmo? Você não achou? O quê? Carlos Fuentes já fez isso, há quase cinqüenta anos? E sua história não facilitava a leitura porque exigia mais reflexão e argúcia do leitor? Nossa! Além disso, o livro de Fuentes não era previsível? Por quê? Você achou Leite derramado previsível? Não brinque: já tinha clareza do que ia acontecer  desde o terceiro ou quarto capítulo? E mesmo assim foi até o fim?

 

Sei: você gosta de ler e continua a achar que se divertiu durante a leitura. Ah, você acha que a leitura não vale apenas quando estamos diante de um tremendo livro? Bem, nesse ponto também concordamos.

 

Só que agora vou lhe contar uma coisa, leitor imaginário e, óbvio, impossível.

 

O autor do livro é um conhecido e importante compositor da música popular brasileira. Letra e música. Já escreveu outros livros. A maioria deles, inexpressiva. Mas, no último, fez uma história bem elaborada, inventiva e inteligente. Chegou a ganhar prêmios por causa dele. O livro se chamou Budapeste. E lhe asseguro: era mesmo muito bom. Não, nem de perto chegou a ser o melhor daquele ano, mas era muito bom.

 

E digo ainda mais: o lançamento de Leite derramado contou com uma inacreditável cobertura da imprensa brasileira. Já vendeu muito e venderá muito mais. Ganhará prêmios e será traduzido para inúmeros idiomas, talvez até para o húngaro, única língua que o Diabo respeita – coisa que aprendi, aliás, em Budapeste.

 

Se não bastasse, a maior parte das resenhas elogiou Leite derramado. Houve até quem o comparasse a Machado de Assis. Você conhece Machado de Assis? Conhece e não vê como alguém possa associar um e outro? Puxa, leitor, nem sei o que dizer. Achei que era verdade…

 

Agora confesso que fiquei confuso. Sei lá. Acho que vou ter que ler o livro para ver se você tem mesmo razão ou se é apenas intolerante e, diriam alguns, elitista.

 

Sou capaz até de ler Indignation e A morte de Artemio Cruz para ver se de fato têm tanto em comum, embora anteriores e superiores a Leite derramado.

 

Mas ler três livros é duro. Não sei se agüento. Pouca gente no Brasil faz isso. Esse, afinal, é um país que tem que crescer. Quanto tempo isso vai me tomar? Não dá para perder tanto tempo lendo. E para quê, afinal? Se quase todo mundo diz que Leite derramado é bom, claro que é. Para isso é que existe a crítica: para orientar os leitores, ora.

 

Claro! E mais fácil do que ler três livros (e dois deles, ainda por cima, são complexos: vai demorar…) é concordar com os resenhistas. Ou ouvir uma boa música, bem cheia de metáforas, coisa que dá para fazer até de olho fechado. E, em vez de imaginar leitores críticos, imaginar um mundo em que Leite derramado seja eleito o melhor livro do ano.

 

Tem mais chance de virar realidade.

 

Chico Buarque. Leite derramado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009

 

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133 pensamentos sobre “Leite derramado, de Chico Buarque

  1. Oi, Júlio

    A cada artigo seu que leio mais me convenço de que você faz hoje a crítica literária mais original e isenta do país. Sobre este livro do Chico, você é uma das poucas vozes dissonantes. Mas só a dissonância em si não revela a sua estatura intelectual. Você sabe mostrar, sem recursos pirotécnicos, porque um livro é ou não bom. E escreve como quem fala com o leitor.
    Abraço do
    msn

    • Miguel,
      obrigadíssimo.
      Receber um elogio desse, vindo de você, é uma honra e tanto.
      Não sei se mereço.
      Mas sei que mereceríamos, todos nós, uma crítica literária mais dissonante…
      Abraços,
      Júlio

    • Você tem quantos livros publicados? Quais são os títulos? Gostaria muito de ler alguma obra de uma pessoa tão certa no que diz. Seria um prazer encontrar nas mãos de um ilustre desconhecido uma obra de tanto valor quanto Leite Derramado. Se houver alguma, favor me avisar com urgência.

      • Letícia,
        obrigado por seu comentário.
        Não importa muito os nomes dos meus livros. Asseguro, de qualquer forma, que nenhum deles tem a qualidade de diversos trabalhos do Chico Buarque.
        Isso, porém, não me proíbe – e imagino que concorde comigo nesse ponto – de analisar e criticar qualquer trabalho.
        O que procuro fazer, aqui no blog, é deixar claros meus critérios de leitura e destacar que minhas “certezas” são resultado de minhas leituras.
        Mesmo quando brinco – caso dessa resenha sobre Leite derramado – evito contaminar de agressividade o texto. Se o fizesse, fecharia o espaço para o debate e, “minhas certezas” pretenderiam se impor às certezas alheias. Não quero isso. Quero ler, quero escrever; quero que outros leiam e escrevam. Ocasionalmente concordaremos, ocasionalmente, não. Não importa. Essas são as regras que sigo e, acredito, valem para manter o pensamento vivo.
        Abraços,
        Júlio

  2. júlio, eu já não havia gostado de estorvo porque me lembrou muito o estrangeiro do camus. tb não gostei do livro do jô soares, algumas piadas como a da caipirinha achei muito made in brasil. belíssimo texto o seu! chico buarque é praticamente uma unanimidade no brasil, grande compositor, continua original até hoje na música, portanto todos têm medo de contratacar. mas acho que somos obrigados a ver as obras distante dos mitos. beijos, pedrita

    • Pedrita,
      tudo bem?
      Obrigado pelo comentário. Também gosto muito do compositor.
      E acho que Chico deu um salto com Budapeste, evitando a fragmentação desnecessária de Estorvo e Benjamin. Agora a retomou.
      Beijos,
      Júlio

  3. Olá Júlio,

    Faz tempo que não lhe escrevo, para pegar mais indicações de leituras. Gostaria de parabenizá-lo pela ótima crítica e pelas excelentes indicações de leitura que você sempre nos dá. Devo admitir que li ‘Leite Derramado’, não achei nada demais, mas fiquei com uma espécie de ‘vergonha’ em admitir, devido ao alarde causado em torno do livro. Aproveito para perguntar se você leu ‘O Filho da Mãe’ de Bernardo Carvalho e quando podemos ver uma crítica dele aqui.

    Abraços

    • Christian,
      tudo bem?
      Obrigado pelo comentário.
      Li O filho da mãe, sim. Publiquei o comentário, aqui no blog, dia 16 de março. Você o encontra aí do lado, na seção “Tópicos recentes”.
      Abraços,
      Júlio

  4. Olá, Júlio, tudo bem?
    Confesso que me é difícil acompanhar o ritmo e a excelência de suas leituras. Quando acontece o raríssimo caso de ler um livro antes de você o comentar, fica-me ainda mais nítido o quanto aprendo – aprendemos todos – com suas críticas.
    Um grande abraço

  5. Olá Júlio,

    O que dizer depois destes comentários? Dizer que este é um dos seus melhores textos aqui no blog chega a ser lugar comum. Ótimo melrgulhar neste interrogatório-labirinto com o “leitor imaginário”. Supreendente mesmo. Vi “Leite derramado” na livraria, mas ainda não comprei, só comecei a lê-lo na propria livraria mesmo, sem compromisso. as semelhanças com Roth estão mesmo ali, mas não cheguei a ir fundo nesta reflexão. Vou comprar o livro e acabar de ler e verno que dá, mas já sei que este seu texto já faz parte desta leitura, de uma ótima forma.

    Abraços,

    Dennis.

  6. oi júlio,
    senti minha leitura ressoar na tua…
    sou fã do compositor-poeta chico buarque, e por isto ler o ‘leite derramado’ foi uma certa decepção p mim — mas sabe q perdoei o livro qdo reli alguns pedaços com a seguinte sensação: a de q ele é uma grande montagem das muitas letras de música do chico. é como se ele juntasse as crônicas musicais dele e fizesse uma grande canção, de muitas págs. pq não acho q seja um personagem falando ali, não é um monólogo, soa muito mais como um personagem cantando. ‘ouça’ lá, é o tom das canções q atravessa tudo!
    beijos pra vc,
    adoro teus textos!
    annita

    • Annita,
      tudo bem?
      Obrigado!
      É verdade: a música atravessa a ficção – acho que sobretudo pelas metáforas. Isso limita o livro, mas certamente o ajuda a ser agradável na leitura.
      Ainda lhe devo o comentário sobre Como se caísse devagar… Sairá.
      Beijos,
      Júlio

  7. Júlio,

    acabo de fechar nesse instante meu Leite. Onde está esse livro genial que toda a crítica leu e que eu não vi?? Cheio de lugares-comuns, formalmente nada criativo (meio preguiçoso até) e morno, muito morno.

    Terminei a leitura e vim pra internet reler as críticas que tinha visto por aí para ver se realmente falávamos do mesmo livro. E não é que eles insistem em elogiar?

    Que bom que encontrei esse seu blog:resenha séria, sólida e imparcial. Parabéns!

    • Carolina,
      obrigado.
      Alguns dos elogios foram para o compositor.
      Outros foram ideológicos – houve quem o comparasse a Machado e quem dissesse que, com este livro, Chico superou a obra do pai…
      Mas também houve quem notasse sua fragilidade. Daniel Piza, em sua coluna no Estado, fez isso.
      Abraços!

  8. Júlio,
    Estou lendo Leite Derramado. Não, não estou achando lá essas coisas. Discordo dessa crítica derramada de elogios diante do livro (ou seria do autor?). Mas às vezes sinto uma torcida contra, sabe? O Chico, o gênio da música popular brasileira, escrever um livro bom? Como é possível?
    Do outro lado tem essa crítica com elogios derramados. Enfim, estou lendo Leite Derramado por eu ser – na verdade, tentar ser – testemulha ocular da nossa literatura, e também para testemunhar o que um marketing pesado é capaz de fazer com um livro meia-boca.
    Não estou defendendo o Chico, nem a crítica, mas vou fazer uma pergunta: por que Chico Buarque não pode escrever um livro tão inferior a Budapeste? Por que Chico Buarque não pode escrever um livro tão inferior a suas 400 composições musicais?

    Talvez você responda: ele pode escrever, mas sem plagiar – deve respeitar a capacidade intelectual de seus leitores.

    Eu respondo: ele pode escrever, mas a mídia poderia deixar de fazer esse furdunço todo.

    Abraço,

    • Crica,
      é isso mesmo.
      Leite derramado é um ótimo divertimento. E não acho que seja plágio. É citação, intertextualidade ou influência – como quisermos chamar. Curioso é que não se tenha notado a forte presença de alguns livros por trás da escritura de Leite derramado.
      Ocorre que a (merecida) fama e o (merecido) prestígio de Chico fizeram com que o livro fosse recebido como obra-prima, o que de fato não é. Ou, então (e pior), foi celebrado pelas características ideológicas que supostamente contém.
      Abraços,
      Júlio

  9. Li o Leite Derramado e posso achar tudo isso que vc. escreveu e daí?Eu detestei os outros livros de Chico ,é verdade que eu gostei de Budapeste ,mas Estorvo e Be…eu…No entanto ,Leite Derramado me lembrou “a Versão de Barney ” de um autor canadense que eu não recordo o nome.De Machado ,ele não tem nada ,dos outros menos ainda ,mas o livro é bom ,eu me diverti .Ainda lembro dele?Lógico tenho uma memória malufiana.O livro é bom porque é do Chico e ele vem se aprimorando na arte de escrever ,compare com os outros ,tirando Budapeste ,não é o melhor?Comprem ,comprem ,ajudem o Chiquinho ,manter seu estilo de vida.

    • Paula,
      desculpe-me, mas alterei os termos de de seu comentário.
      Não acho que Chico seja mau escritor, não. Considero-o, inclusive, bastante superior à maioria dos atuais.
      Diferente, porém, é considerá-lo autor de obras primas.
      Abraços,
      Júlio

  10. Júlio,
    Excelente texto..irônico, provocativo, sem perder a elegância. A sua crítica é que está me parecendo mais machadiana do que o leite derramado.
    Acho que você tocou no ponto exato quando falou sobre a excessiva cobertura da imprensa e a não dissonante opinião da crítica. Mas isso talvez se deva porque aqui nos
    interessamos mais pelo nome que vai na capa (é só lembrar Romance Negro de Rubem Fonseca) do que pela discussão sobre literatura.

    abs,

    • Obrigado, Giovanna.
      É verdade: no caso de Rubem Fonseca, além do Romance Negro, o quase constrangedor livro de ensaios O romance acabou.
      Crítica é dissonância… Caso contrário, não há crítica.
      Abraços,
      Júlio

  11. Parabéns pela crítica, Júlio.
    Confesso que logo no segundo capítulo do livro fiquei confuso sobre o que achar dele devido ao alarde positivo da publicação.
    O problema é que sempre esperamos do Chico algo genial, enquanto o livro é só legalzinho…
    será que não ser genial é um defeito?

    • Obrigado, Marcelo.
      Certamente não é.
      Por isso escrevi no texto e tenho insistido nos comentários: o livro é bom e merece ser lido.
      O alvo principal da crítica não era o livro, mas sua recepção.
      Abraços,
      Júlio

  12. Júlio,
    Desculpe-me ser repetitiva, mas é que suas palavras e ideias dão margem a muita reflexão. O que me irrita nisso tudo é que estamos – críticos, jornalistas, organizadores de prêmios e “flips” – construindo um cânone literário contemporâneo que muitas vezes – ou todas? – ignora o leitor e a própria escrita. Estou lendo o excelente livro do Todorov, “A literatura em perigo”, e lembrei-me das discussões do seu blog. Será que em breve vem aí um comentário sobre esse livro? 😉

    abs,

    • Giovanna,
      não é repetitiva, não.
      Não sei se de fato algum cânone contemporâneo está sendo escrito ou se o que existe é apenas o movimento rápido demais de divulgação e de glorificação – para, em seguida, esquecermos de tudo e recomeçarmos. No lugar dos cânones, que são uma consagração da memória – de uma memória -, talvez ocorra o oposto: a diluição da memória.
      Ainda não li o Todorov. E já ouvi diversos comentários interessantes sobre ele.
      Se quiser escrever um comentário, aceito…
      Beijos,
      Júlio

  13. Júlio,

    Li teu comentário sobre Leite Derramado antes de ler o livro. Achei que isso poderia influenciar a minha leitura mas, no fim das contas, percebi que não. Mesmo que não tivesse lido as tuas frases laranjas, teria achado muitas das coisas que você diz, ainda que eu não fosse fazer as pontes entre o Roth (que comecei a ler por tua causa, mas ainda não li Indignation) e o Carlos Fuentes.
    Bom livro. Ponto. E não precisa ser genial. Contanto que se enxergue que de fato não é.
    Adoro que você responda aos comentários de todos. As discussões ficam assim muito mais férteis.
    Beijos,

    Tati
    (roommate da Amina em SP)

    • Tati,
      tudo bem?
      Fiz a correção.
      É isso: um bom livro, talvez acima da média.
      Tem que responder. Senão, qual o sentido de deixar espaço para os comentários?
      Beijos,
      Júlio

  14. Fui escrevendo sem pensar, dando enter, e o que era pra ser Roommate saiu Hommate. Culpa de Homesick que escrevi num comentário de outro blog pouco tempo antes desse. =)

  15. Ao ler o novo romance do Chico, acabei sendo tomado pelo Pedro Pedreiro, só que agora na versão Pedro Leitor. Fiquei esperando, esperando, esperando. E quando cheguei no fim, vi que tinha lido um bom livro, apenas isso.

  16. Júlio

    É a primeira vez que entro neste blog e me deparo com essa crítica maravilhosa!

    Parabéns e você ganhou uma fã! (mais uma)

    Beijos,
    Tati

  17. Julio,

    Quando li as resenhas antes de comprar o livro, na maioria delas expunha-se como principal tema a degradação social e familiar, se bem me lembro. Pensei, opa, agora sim, chico vai usar o seu grande poder de cronista (com as metáforas e críticas inspiradíssimas de sempre), e vou poder saber um pouco do seu ponto de vista de como as coisas evoluiram socialmente. Se a proposta era realmente essa, o livro não chegou nem perto de cumpri-la. O tema era amplo, fértil, cheio de possibilidades interessantes mas não foi bem explorado, absolutamente.
    Concordo com você quando critica não a qualidade do livro, mas a forma como o mesmo foi recebido.
    Li um bom livro, o que não deveria ser frustrante para o leitor. O grande problema mesmo foi o alarde que me motivou a comprá-lo.
    Vi algo do Chico ali, algo de testemunho pessoal e três ou quatro de suas definições geniais, o que pra mim já valeria.
    Se tivesse lido sua crítica antes, talvez minha reação ao final pudesse ter sido outra, que não olhar duas vezes se não havia mais nada escrito.

    Seu texto e sua generosidade com seus leitores me impressionaram Julio, é raro que tanta inteligência não seja punida com enorme arrogância.

    Você já está entre os meus favoritos!!! (me disseram q é a maior reverência da era moderna)

  18. Caro Júlio,
    Seu texto é incrível e quase me convenceu acerca de “Leite derramado”. Mas, sabe: eu adoro Chico e não tenho receio de dizer que qualquer texto dele merece toda a minha admiração. De qualquer forma, amei seu blog e vou acompanhá-lo com frequencia agora.
    Ah, já ia esquecendo: já li seu livro sobre Borges e também achei muito bom, tenho ele todo anotadinho aqui em casa.
    Abraços,
    Émile

    • Émile,
      obrigado pelas duas coisas.
      Pela leitura de meu Borges e por não se deixar convencer.
      Nada pode ser pior, num texto sobre livros, que a capacidade de convencer.
      Esse é meu medo contínuo quando escrevo e quando leio. Porque, se nos deixamos convencer, é suicídio: matamos o leitor que somos. Se convencemos, é pior, nos tornamos homicidas: matamos o leitor que vive no outro.
      Leitor precisa ser sempre rebelde, não se deixar levar. Esta, a maior lição de Borges.
      Abraços,
      Júlio

  19. Olá Júlio,

    Descobri esse site, de crítica, casualmente. Procurava críticas sobre o novo livro do Chico Buarque “Leite Derramado”. Evidente que havia lido algumas críticas. Todas carentes; diziam coisas muito semelhantes (que pobreza!). Além do mesmo, essas críticas não apontavam pontos negativos, como se a obra fosse uma obra-prima (e Chico um gênio da literatura!). Pena. O Brasil perde com o que, pra mim, é apenas campanha publicitária, de divulgação, massificação.
    Ainda não li o livro e vou esperar passar a euforia dos primeiros momentos para ler. Contudo, seus questionamentos aguçam não apenas a curiosidade mas o nosso senso crítico (leitor). Inclusive nos chamou a atenção para a crítica da crítica. Muito bom.

    Parabéns pelo texto e pelo site.
    Não apenas está nos meus Favoritos como vai se tornar um dos meus pontos de passeio semanais da internet.

    Abraço,
    Hugo.

    • Hugo,
      obrigado pelos comentários, muito gentis.
      Visite o Paisagens sempre, claro!
      É uma boa idéia esperar a poeira baixar para ler (ou reler, conforme o caso).
      Abraços,
      Júlio

  20. Oi, Júlio,
    li sua crítica, escreve bem, senso crítico aguçado, inteligente. faço um convite para a leitura de minha impressão sobre leite derramado, mas já aviso que não faço leitura apenas com o pensamento e a linguagem, eu respeito o que sinto e sou bem receptiva aos espíritos leves que passam pela nossa vida, embora eu não fosse sentir diferente caso fosse possível ler apenas com a razão. um abraço

  21. Júlio,

    Como é boa essa oportunidade de ratificar a admiração que tenho por ti (desde os tempos, não muito distantes, do curso de América independente). Digo isto só pra registrar minhas passagens por aqui, que vão se tornando cada vez mais frequentes.

    Quanto ao livro, ainda não li. Confesso que me envolvi bastante com “Estorvo”, que adorei “Budapeste”e que, pelas críticas que havia lido por aí, já estava com uma expectativa bem bacana pra leitura “leite derramado”. Pela capa, também! Ao ler seu texto, cuja qualidade e tom literário já fazem valer a pena a publicação de um novo livro, seja de quem for, me deu mais vontade de pegar logo o livro do Chico, e de tentar cercá-lo como um estrangeiro mesmo; de colocar de lado minhas predisposições e me divertir como alguém que lê um autor também imaginário.

    Não conseguirei.

    Buscarei os livros citados na resenha também.

    Um abraço,

    Noubar

    • Noubar,
      obrigado pelo comentário.
      Leia Leite, sim. Você vai gostar porque o livro é bom e divertido. Minha crítica foi à crítica.
      Abraços,
      Júlio

  22. Professor que engraçado!!! Kkkkkkkkkk olha que já vi o senhor tecendo elogios para alguns, poucos, autores, vi também detonar outros, mas, agora foi diferente hem!!!!

    Meteu o dedão na ferida, falou do Chico sem medo de levar bronca, criticou, e ainda sim, de uma forma muito tênue, sem escorregar o pé!

    Não achei o livro ruim, ele só é ‘bom’. A questão maior, em minha opinião, é que depois de se criar certa fama, parece que a pessoa tem a obrigação de dar a luz múltiplas idéias geniais… Aí ‘o leite foi derramado’, pois durante a leitura não é incomum a impressão de algo faltante, quando na verdade o problema está no excesso de expectativa!

    Em tempo, suas críticas são as melhores!!!!!

    Beijos

    Taty

  23. Quando um novo trabalho de um cara como o Chico (principalmente o Chico, tratando-se de Brasil) é lançado, torna-se impossível não tomar conhecimento. Quando se trata de um livro, mesmo que este seja totalmente ruim, o que não é o caso de “Leite Derramado” nem de nenhum de seus trabalhos anteriores, que não são poucos em todos os caminhos da arte, torna-se irresistível lê-lo até o final, até por respeito, e são pouquísimos os autores que mereceram tal respeito de forma tão natural, já que Chico Buarque, não é lá tão amiguinho assim da Mídia, como se tenta convencioná-lo toda vez que este se insurge pela literatura. A crítica negativa que se faz a Chico Buarque é sempre em um tom desafiador, como quem diz: “Olha como sou corajoso”, mas o que me parece pior é quando ela me soa assim: “Você é ótimo fazendo suas musiquinhas, mas não se meta no mundo tão intelectual da Literatura, que isso é só para nós que somos os donos da verdade”

    • Pedro
      Obrigado por seu comentário.
      Mas não entendi se considera que minha leitura de Leite derramado se encaixa nesse perfil.
      De qualquer forma, a recepção dos livros de Chico Buarque pela crítica literária é, em geral, muito favorável. Acadêmicos compararam Leite derramado a Machado e disseram que ele superara o pai. Exagero, claro.
      Não acho que o terreno da literatura seja vedado a músicos. A prova dos nove é a qualidade do que é escrito. Nesses termos, Leite é um livro bom. Acima da média, mas muito abaixo do que alguns dos bons escritores brasileiros de hoje fazem.
      Abraços,
      Júlio

  24. Agora imagine, caro leitor, que você acabou de ler essa crítica, do começo ao fim.
    Achou arrogante? Preconceituosa? Medíocre? Injusta?
    Então leia Leite Derramado de novo. Leia como quem ouve um disco, faixa por faixa, capítulo por capítulo, com um pouco de humildade.
    Aí você descobrir a complexidade, adelicadeza, a beleza, o trabalho árduo e o talento desse grande escritor brasileiro: Chico Buarque de Holanda.
    E não precisa comparar com ninguém de fora , não precisa ficar alardeando erudição bajuladora. Machado de Assis já basta.
    Que sorte termos dois autores desse quilate em língua portuguesa. Ah, você esqueceu desses dois detalhes: língua e estilo. Que pena!

    • Sylvia,
      obrigado por seu comentário.

      Respeito sua leitura do livro e discordo dela.

      Felizmente podemos ler de jeitos diferentes, a partir de conceitos diferentes, e somos capazes de aceitar a discordância.

      Apenas duas ressalvas. Lamento que tenha considerado minha crítica arrogante, preconceituosa, injusta e de “erudição bajuladora”. Não tive tal intenção e, relendo o comentário, não identifico essas condutas. Pretendi, inclusive, questionar exatamente a “bajulação”, erudita ou não, em torno do livro. Quanto à mediocridade, é avaliação sua, e não posso contestar. E leio livros como quem lê livros – talvez venham daí, inclusive, nossas diferentes leituras.

      Abraços,
      Júlio

  25. vi no twiter sobre esse comentário, tb recebi um ácido esses dias, a pessoa dizia que fazer pirataria ou não dependia de um país democrático. cada um escolhia o q queria. engraçado isso, então assassinato em um país democrático a punição depende de uma opinião? enfim…

    • Pedrita,
      obrigado pelo comentário.
      Felizmente, é diferente: a leitora que me espinafrou não defendeu crimes. Apenas alertou para diferenças de leitura, o que é lícito e ajuda o debate.
      Mas você tem razão: é curioso como o relativismo assume, por vezes, ares estranhos.
      Abraços,
      Júlio

  26. Oi Júlio,
    Espero que você tenha recebido o meu livro “Eu Menina”. desculpe chama-lo por você. Acontece que eu poderia ser sua mães, pela minha idade.
    Li seu comentário sobre o “Leite Derramado”, adorei, foi na medida exata. De uma imparcialidade INCRÍVEL.
    Abraços,
    Neyde Monteiro

    • Neyde,
      tudo bem?
      Obrigado pelo comentário.
      Recebi seu livro, sim.
      Mas infelizmente ainda não o li: os tempos andam para lá de corridos.
      Lerei.
      Abraços,
      Júlio

      • Caro Professor,
        Obrigada pela resposta. Compreende muito bem que sua agenda seja pra la de cheia. Espero com muita paciência sua delicada ATENÇÃO..
        Muito sucesso são meus votos.
        ABRAÇOS
        NEYDE

  27. Oi Júlio,

    Também li no Twitter sobre o comentário. E justamente pelo que recebi na resenha de “Gato preto em campo de neve” não pude apenas ler. Penso que um livro é uma obra diferente para cada leitor. Apesar de alguns medalhões, não existem consensos absolutos sobre a qualidade ou a falta dela em uma obra. O que você coloca aqui no blog é uma das muitas leituras possíveis: a sua.
    O problema é quando não se respeita o olhar do outro.

    Um abraço,

    Dennis.

    • Dennis,
      obrigado.
      Ler já é, pelo próprio gesto, respeitar o outro; identificar e perceber a diferença de voz.
      Por isso, sempre acho que os leitores, independentemente de concordâncias ou discordâncias (que são pontuais), sempre são respeitosos.
      Abraços,
      Júlio

  28. Os livros podem ser lidos como quem ouve música, vê um filme, conversa, sonha… até como quem reza e o que mais quizer.
    Não deixam de ser livros por isso, deixe de preconceitos!
    A única frase sua com a qual concordo é a de que Leite

    Derramado será eleito o melhor livro do ano.

    E até pode ganhar o Prêmio Jabuti!
    Assim espero e torço
    Sylvia

  29. sim, júlio, é bem diferente do q disseram a vc, mas eu estranho exatamente esse relativismo. se um crítico fala mal de algo que gostei ele é mal tb e não q ele tem uma opinião diferente da minha. beijos, pedrita

  30. Julio,
    caí neste seu blog de paraquedas, depois de terminar o “leite derramado”, ligeiramente frustrada……
    boa a sua crítica. e pergunto, curiosa, qual é o Philip Roth que “inspirou” o nosso Chico? não sendo leitora habitual do Roth, não soube reconhecer esta – mas sim outras fontes de inspiração.
    obrigada,
    Q.

    • Q.,
      obrigado por seu comentário.
      Acredito que a decepção que sentimos ao ler Leite derramado não é provocada propriamente pelo livro, mas pelas críticas que o glorificaram.
      Ao me referir à semelhança com Roth, pensava mais especificamente em Indignação, que inclusive acaba de ser traduzido aqui no Brasil. No livro, o jovem protagonista repassa suas memórias sob efeito de morfina. Um narrador introspectado, que alterna consciência e desconhecimento de si e do mundo ao redor.
      Abraços,
      Júlio

  31. Conhecimento da língua portuguesa você pode adquirir por alguns centos e poucos reais , contratando um professor de Português para colocar em ordem o que se escreve .
    O Chico me enganou um bom tempo , fazendo-me achar que ele se tratava de alguém despojado dos valores impregnados no tecido social na segunda metade do século passado.
    No fim das contas a resultante que pude ver foi a de uma pessoa voltada ao sofá , e que por ter aversão ao suor trabalhista injetou nas mentes dos jovens de sua geração uma escala imaginária que lhe proporcionasse uma fonte de renda . Resultou nestes livros que são uma obra de amordaçamento e de estrabismo social , onde ficam claras suas intenções . Sim , talento não se pode negar . Mas , para o quê , entretanto ?

    • Milton,
      obrigado por seu comentário.
      Conforme comentei, acho o livro bom. O equívoco que procurei apontar foi da crítica, que o tratou como obra-prima.
      E respeito sua opinião, mas não faço análises ideológicas de obras literárias.
      Abraços,
      Júlio

  32. Leite Derramado, até por toda a festa que a crítica e todo o mercado literário andava fazendo, me chamou atenção. Nuna tinha lido nada do Chico, mas pensei em ler esse. Aí li essa resenha logo que foi publicada e resolvi que queria sim ler o livro.
    Antes disso, como o Budapeste foi muito elogiado, resolvi ler e gostei muito. Aí me animei e fui tentar os anteriores, que me desapontaram, naturalmente. Resolvi voltar ao Leite Derramado.
    Mas antes queria experimentar o percurso que foi mostrado aqui. Já li o Fuentes e foi um tipo de choque pra mim quando li, bem marcante. O Roth eu já tinha visto outras críticas interessantes, então resolvi ler primeiro o Indignação.
    Comprei os dois (Indignação e Leite Derramado), pra ler de uma tacada só, seguidos.
    Se eu fôsse falar do Indignação por aqui acho que comentaria no tópico errado, mas ele realmente ajudou a pensar o livro do Chico.
    É um bom livro… Aliás, desde o título, que consegue, se por um lado, ser um clichê, por outro, dá um significado muito peculiar da obra e que acho interessante o tal leite que quando sorvido era doce, mas quando derramado ficou tão estranho para o narrador.
    A tal semelhança com Machado até se encontra em temas, na crônica póstuma, ou quase póstuma, talvez até nos ciúmes um tanto doentios, mas comparar um bom escritor ao Grande escritor brasileiro por esse livro tão alardeado é obviamente mero alarde.
    Concordo especialmente quando diz que logo o livro terá sido esquecido, pelo menos por mim, o que talvez não aconteça tão cedo com Budapeste.
    E então ler todos os comentários ajuda a pensar que por fim, o livro sendo bom deve ser lido, talvez até relido, mas que o jeito que a crítica tratou o livro mais atrapalha do que ajuda, porque muitas vezes ao invés de estimular a leitura, simplesmente cria produtos, um presente a ser dado, e não um livro para ser lido.
    E isso eu acho interessante na crítica quando se permite ser negativa. Acabou chamando muito mais atenção para o livro do que se simplesmente dissesse que era um livro ótimo (vide que o Indignação foi muito bem indicado por aqui mas eu só li porque ele apareceu nessa crítica).
    E é interessante poder ver o que tanta gente tem a dizer sobre o livro, e como isso enriquece a leitura.

    • Áquila,
      tudo bem?
      Obrigado por seu comentário.
      Ler e comentar: esta é a função do blog desde que foi criado, há quase (veja só!) quatro anos.
      Nesse caso, deu o que falar. Ótimo.
      Abraços,
      Júlio

  33. Quando eu era jovem , tinha um amigo chamado Gatão que mesmo sem ser belo , tinha a maior labia com as garotas , e por este motivo ganhava todas que ousassem cruzar seu caminho .
    Mas êle era soturno.
    Invariavelmente êle dizia que com um bom papo você ganhava qualquer mulher a toa.
    Dizia também que no fim de toda festa sempre sobrava uma (me perdoem) vagabunda .
    Após tentar ler este livro do Chico Buarque tive uma sensação de estar sendo levado na conversa , tal qual diziam as vitimas do Gatão.

    • José Carlos,
      obrigado por seu comentário.
      Essa fluidez do texto pode ser positiva ou enganadora.
      Acho que, em Leite derramado, as duas coisas ocorrem. Há momentos em que o texto flui pelo bom manejo da escrita e outros, em que a narrativa parece girar desorientada.
      Abraços,
      Júlio

  34. Oi Júlio,
    Tudo bem?

    Finalmente li o “Leite derramado”. Me diverti com o livro. É um livro bom e acima da média, conforme você mesmo disse, mas nada de original.

    Reli todos os comentários a você e suas respostas. Parabéns pela maneira inteligente, educada e de estilo impecável que conduz esse seu espaço tão gostoso de ser visitado.

    Um grande abraço,
    Fatima

  35. Terminei a leitura do ” Leite Derramado”. Leite Longa Vida!”
    História interessante, muito humor, mas sem exploração social/política das épocas pelas quais o enredo se desenvolveu. Muito superficial.
    Fico com “Budapeste”.

    Abraço.

    Gerson

  36. caro crítico. sou dessas criaturas que se apaixonaram pelo chico aos treze etc e tal. adoro as músicas. adoro a voz. tenho discos e vídeos. vou a shows. só havia lido calabar. e gostado. comprei leite derramado. no sétimo capítulo, antes de jogar o livro no chão de raiva, uma raiva ainda sem explicação, achei sua crítica. bom pensar que não sou a única leitora decepcionada. acho que ele começou a me irritar com o inverossimil da estrutura e do conteúdo, com as expressões repetidas à exaustão para que entendemos que se trata de um doente. principalmente quando escreve papai, mamãe e preto. por fim não consegui embarcar na historia nem esquecer do autor. lembrei de pierre bayard e me senti autorizada a deixar leitura. sobre alguns comentários que fizeram acho que todos nós temos direito de criticar. mesmo quem não leu. ou leu pela metade. ou leu uma resenha. o importante é o acesso ainda que indireto ao livro. depois o livro perfeito é um encaixe pessoal. abraço. barbara

    • Barbara,
      obrigado por seu comentário.
      Essa variação de leituras, perspectivas e – claro – de gostos é essencial.
      Assim avançamos nos diálogos.
      Abraços,
      Júlio

  37. Meu caro crítico de livros me perdoe por favor, mas…

    …confesso que me espantei um pouco ao ler sua crítica. É a primeira que leio do assunto. Li o livro sem isenção alguma apresentada por você no começo do texto, logicamente. E foi isso que para mim fez o livro sensacional.

    E não é a história repetida da velhisse, nem as metáforas tão marcantes no autor, nem a elite decadente que faz dele um livro genial, mas sim o que há nas entrelinhas. O que o livro suscita de discussão e o que desperta em mim uma boa reflexão. Ainda que não escrita pelo autor, é isso o que eu classifico muitas vezes como um bom livro.

    O livro é uma crítica aristocrática à burguesia capitalista. Nele você pode perceber a diferença de valor entre as duas sociedades (do Eulálio e a que ele conta a história), e a estrutura que ele mantém com ele. As marcas do pai, o relacionamento “machista recalcado” com Matilde (seria a Marieta?). As mulheres do chico tem um quê diferente (ou seria do mesmo?). Prestem atenção.

    O Chico tem um pensamento um tanto quanto Aristocrático, no meu ponto de vista. Será por isso talvez que ele seja “voltado ao sofá” e tenha “aversão ao suor trabalhista”. Para mim, o livro revela muito dele.

    De que aristocracia decandente ele conta? Daquela que não conseguiu fazer o “salto industrial”. E quem deveria ter feito? O Eulálio. E qual a marca ele carrega por toda a vida? Essa. A personalidade abolucionista dos cafeicultores da época, aquela a abolição capitalista da escravidão…E o Chico consegue montar e manter durante todo o livro toda esse mentalidade daquela aristocracia da época.

    E é uma bela crítica a nossa sociedade, e não vinda de um moderno ou de esquerdista, mas de um aristocrata, o que a torna perfeitamente diferente. Um aristocrata não se importa com o tipo de modo de produção vigente, mas sim com o poder que ele detém dentro do sistema. Quando o Eulálio diz algo do tipo: “Meu neto é comunista. Se a revolução der certo, ele vai conseguir um bom cargo no governo.” Essa é uma frase marcante no livro, mas acredito que todos devem ter lido como mais um clichê.

    Para mim a genialidade do Chico beira isso. Ele escreve letras que mostram um amor bonito, quando na verdade revela no mínimo uma relação machista. Pode não ser a intenção do autor, o que eu duvido que não tenha sido, mas no mínimo revela seu pensamento.

    Ele revela o melhor do livro nos detalhes. Ele busca a vivência, tão perdida nesses livros massificados pela indústria cultura.

    A leitura tem dois lados: aquela que todos vão achar um livro bobinho, e aqueles que verão as entrelinhas…acho que ele ri dos primeiros e um dá um sorriso para os segundos.

    As vezes a narrativa parece desorientada, mas é óbvio que esses dois momentos vão aparecer. Afinal, quem é o narrador da história?

    Até teria mais o que dizer, mas penso já ter por demais me alongado. Finalizo, o mínimo das perguntas que surgem após ler o livro é: quem é chico buarque? E é essa pergunta que tento responder agora.

  38. Gente, como pode um lívro desse jeito?
    Escrito na 1ª pessoa, história de um velho que fantasia tudo, usa vários tempos verbais, sem contar que parece uma intertextualização de “Dom Casmurro” – lívro de Machado de Assis. A faculdade, à pedido da professora de Português, teve que ler esse lívro, resenhar o discorrido, e todos estão enfurecidos, ninguém entendeu nada.
    Esperava mais de Chico, já que amo as suas músicas, a bailarina é de tremenda reflexão às criticas e defeitos que citamos aos outros. Ai que decepção, me perdoe!

    • Sueli,
      tudo bem?
      Não vejo problemas de entendibilidade no romance e não creio que o intertexto com Machado ou outros autores seja, em si, um problema. A questão é identificar os mecanismos da construção textual e explorá-los.
      Reitero o que já comentei antes: acho o livro bom, bem acima da média da ficção brasileira atual. O problema foi a glorificação bajuladora de parte da crítica.
      Abraços,
      Júlio

  39. Olá ! Adorei sua critica ; ainda não o lí , estou o aguardando chegar pois adquiri o mesmo pela net , estava tão ansioso em consumi-lo , que resolvi buscar suas criticas , confesso que o me ocasionou a compra foi todo seu merchan e tal nome do autor … Ao tirar minhas futuras conclusoes , adoraria compartilha-la , pois este é o unico lugar do qual contem tal critica … Apos o termino de minha leitura voltarei e deixarei minha singela opinião …
    Outra coisa é …………..
    Muito legal esse espaço , a principio cheguei aqui pelo Leite derramado e pretendo ficar , pois adoraria dicas e indicações de outros aoutores e obras .

  40. Adorei a sua critica. Muito inteligente e neutra ao mesmo tempo.

    Li o livro e sinceramente: Detestei. Li o livro, voltei para reler outros capitulos para ver o que eu entendia era coeso com o que o autor queria passar….Resumo da ópera: Não entendi nada.
    Será que eu terei que relê-lo para entender? Sinceramente não quero perder o meu tempo.

    Budapeste foi bom.

    • Desintoxicada,
      obrigado pelo comentário.
      Na verdade, gostei do livro. Não o achei, porém, comparável a Budapeste. E muito menos a Machado ou a obras de autores atuais, como Milton Hatoum ou Bernardo Carvalho.
      Abraços,
      Júlio

  41. Júlio,

    Amei sua crítica! Perfeita! Li Budapeste, aliás, devorei Budapeste em menos de 2 dias. Leite Derramado tem mais de 1 semana que tá na ali na minha escrivaninha e eu bem que tentei achar pelo menos razoável, mas é um tédio! Na minha humilde opinião (MINHA)… Adorooooooo o Chico, o Leite não desceu…
    Abraços!

    • Françoise,
      tudo bem?
      Obrigado.
      Achei Leite derramado pretensioso e repetitivo. Inferior, sem dúvida, a Budapeste.
      Abraços,
      Júlio

  42. Olá Júlio, gostei da resenha de “Leite derramado”, fiquei curioso, vou adquiri-lo. Queria saber se vc publicou alguma resenha de “O Aleph” novo livro de Paulo Coelho.
    Xau e até a próxima.

  43. Quantas “maria-vai-com-as-outras”! Só porque você fez uma crítica, agora quase ninguém comenta com outros olhos. Agora, o que acho, é que se forem ler o livro pensando no lado sociológico ou temático, poderão se frustrar mesmo, porque literatura é basicamente a arte da palavra. E me desculpem, Chico faz isso como ninguém. Li Indignação, e vi o contrário. Esperava muito mais. Talvez seja a tradução, já que não li no original e não senti o sabor das palavras, como senti em Chico. Qual o problema de elogiar Chico? É um clichê? Serei original e corajosa se disser que o livro não é bom? Pode ser, mas não tenho medo do clichê.
    Também gostei mais de Leite Derramado que de Budapeste, porque a este último creio que faltou um bom final.
    abraço e viva a divergência!
    adriana

  44. Uma coisa eu sei: quem ganhou o prêmio foi Chico Buarque, não seu livro.
    Boa crítica. Não li e nem pretendo ler esse livro. Não entendo o endeuzamento que fazem do Chico Buarque. Há tantos compositores nesse país com a mesma e até mesmo superiores.
    Abraço

  45. Júlio

    Só hoje conheci seu blog – e justamente por causa da crítica ao livro do Chico Buarque.
    Adorei seu texto. parabéns. Embarquei em cada “imagine” e imaginei.
    O mais interessante, o que me levou a ler a notícia da Folha e encontrar este blog inspirado foi justamente porque eu fiquei surpresa com o prêmio que o livro recebeu.

    Claro que sou fã do Chico; as canções dele povoaram minha adolescência; amadureci ouvindo e cantando (no chuveiro).

    Mas não é assim com os livros. Não gostei de Estorvo, não me animei a ler Benjamim, li Budapeste (e gostei, achei intrigante, sabe) e sobre “O Leite Derramado” não achei nada… O livro é legalzinho. Nada categoria

    Bom saber que não estou sozinha nessa impressão

    • Ana,
      tudo bem?
      Obrigado.
      A Josélia e a Ilustríssima foram muito generosos, dando destaque à resenha do blog.
      Concordo com você: temos de separar o ‘personagem Chico’, sem dúvida fascinante, do resultado melhor ou pior de seus livros.
      Certamente você não está sozinha; conheço raras pessoas que consideraram o livro algo além de um bom divertimento.
      Volte sempre ao blog e comente sempre que puder.
      Abraços,
      Júlio

  46. Prezado Julio: Depois que o livro Leite Derramado ganhou o Prêmio Jabuti entrei na Internet e li sua crítica. Adorei, serei sua leitora. Como você, acho que não é válido ler somente livros geniais. A gente lê também para se divertir. Mas sou mais rigorosa do que você em relação ao livro de Chico Buarque. Acho ruim, previsível, chato mesmo. É um absurdo um livro desse ganhar o Prêmio Jabuti e também o endeusamento do seu autor. Um abraço.

    • Marta,
      tudo bem?
      Obrigado por seu comentário.
      O Jabuti de Livro do Ano é escolhido de uma forma muito peculiar: votam todos os associados da CBL e também os jurados das diversas categorias. Inevitável que o vitorioso seja alguém que, por um motivo ou outro, tem destaque na mídia. A escolha do livro do Chico Buarque deixou nas sombras algo ainda mais surpreendente do ponto de vista livresco: Maria Rita Kehl recebeu o prêmio de melhor livro de ficção do ano. Não acho que seja coincidência o fato de ela ter sido alvo de campanhas recentes de apoio após o cancelamento de sua coluna semanal no Estadão.
      Em outras palavras, acho que devemos encarar as escolhas de ‘Jabuti/Livro do ano’ de forma diferente de como consideramos as votações e eleições regulares – todas passíveis de críticas e de discordância, mas com critérios de escolhas minimamente claros.
      Abraços,
      Júlio

  47. julio,
    muito obrigada por seu texto.

    Li o livro quando foi lançado e me decepcionei bastante esperando algo tão interessante como Budapeste e sendo grande fã das canções e pensamentos do Chico.

    Agora anos e livros depois tenho de voltar a ele para um desses trabalhos extensos e pouco estimulantes de uma pós-graduação, não está facil e seu texto me mostrou que apesar da grande paixão do professor por esta obra, e da necessidade de pegar leve na minha critica, não sou tão maluca assim de simplesmente não ter achado nada de mais deste livro de muita palavra e pouca originalidade…

    enfim farei o trabalho(quee deve comparar leite derramado, donos do poder e raizes do brasil na tentativa de compreender a historia e a personalidade do brasileiro) direitinho mas confesso que decadencia por decadencia prefiro “a moratória” para analizar esta elite agraria e “bras cubas” para analizar a moral do nosso povo.

    • Fernanda,
      tudo bem?
      Obrigado por seu comentário.
      Algumas resenhas de ‘Leite derramado’ procuraram, na época do lançamento, destacar seu caráter sociológico e o consideraram equivalente à obra de pai.
      Considero totalmente equivocada tal leitura, seja porque não acho que devamos deslocar uma obra ficcional para o terreno da sociologia, seja porque não me parece que haja qualquer possibilidade de equiparar duas obras decisivas da historiografia brasileira com um bom, porém limitado, livro de ficção.
      Mas a reflexão é sempre interessante e, independentemente da interpretação que se faça do livro de Chico Buarque, pode dar bom caldo.
      Abraços,
      Júlio

  48. Júlio,

    falaram tanto e tão bem do livro — e o autor, convenhamos, nos convida a ler — que corri atrás logo no lançamento.

    Confesso: fiquei decepcionado. Claro que é um bom livro, mas longe de ser a obra-prima que muitos [críticos] anunciaram. Cheguei a ler algumas comparações com Machado! Exagero puro. [Não que ele não possa, ainda, vir a ser comparável, na literatura; mas até agora, não é. Até porque, na minha opinião, para se tornar um clássico, há que se esperar um certo tempo, até que a poeira baixe, que as camadas se sobreponham, que a obra sobreviva a algumas gerações e se consolide. A obra literária de Chico ainda é muito nova pra isso.]

    Não que Chico não seja grandioso. Ele é enooorme! Mas prefiro o poeta, letrista, compositor. Acho que, por enquanto, é ali que ele deixará sua marca na história.

    Nem sempre, se pode ser tão genial em tudo que se faz. E isso, ao invés de desmerecer, só enaltece o verdadeiro gênio que ele é!

    Definitivamente, daqui a 200 anos, ele será lembrado por muita coisa que já fez. Temo que não pelo Leite derramado.

    • Alex,
      tudo bem?
      Tomara que daqui a 200 anos estejamos de fato lendo e relendo livros hoje escritos. Brincadeiras à parte, acho que poucos de nossos autores atuais restarão – e não sei dizer quais, até porque não é apenas a qualidade literária que conta na constituição dos cânones.
      Abraços,
      Júlio

      Pietro,
      tudo bem?
      Acho que há algo dito na resenha, sim, mas lamento que eu não tenha conseguido comunicá-lo suficientemente bem a você.
      Abraços,
      Júlio

  49. Para mim, você falou muitas coisas e ao mesmo tempo não disse nada, intertextualizou o livro de maneira louvável mas ao mesmo tempo nada disso fez se valer a pena.

  50. sábado, 22 de janeiro de 2011
    RESUMIDAS IMPRESSÕES: Leite Derramado, Chico Buarque

    Por Fernanda Matos

    Chico está sempre doce e atraentemente me embriagando com seu jogo de palavras e de imagens que mesclam uma realidade concreta com outra (não menos real, porém abstrata) simbolicamente afetiva.

    Leite Derramado é tão dinâmico e líquido, que o posso sentir escorregando por entre os meus dedos folheadores de páginas e histórias; ou entre meus peitos amamentadores de filho e lembranças; ou dentro de minha boca e alma sedenta por um leite materno que não mamei, apesar da mamadeira (leite de outra espécie) que tão bem minha mãe me ofertou. O livro é do tipo de leite que vejo claramente derramar pela boca de um corpo velho, de uma alma eterna, deitado a minha frente, que baba histórias entrelaçadas numa ordem cronológica misteriosamente característica da sua própria velhice, mais que isso, do seu íntimo ser… um leite que ora derrama em abundância gotas de sangue rancor, ora goteja gotas do elixir da vida e do amor, mesmo que em seu leite, leito de morte…

    Percebo em pessoas e em mim também, no que me “enruga”, por tanto eu chorar ou posto que de tão velho me envelhece, que a vida se multiplica, mais do que se divide nos tempos passados e presentes (o futuro é só para os muito pouco jovens ou muito pouco decepcionados), aonde os flashs da memória se transformam em novas vivências por quem os executa… nem sempre ocorrendo de maneira semelhante para os que apenas mal escutam, pois apenas percebem uma história contada repetida, chata e caqueticamente várias vezes…

    Há no ar do livro, um tom de mágoa sem mágoa… mágoa que conta sobre o processo anti-natural, porém comum nessa modernidade, de extinção da família que se inicia com a primeira grande perda, no caso da personagem, de mim e de um monte de gente, a perda do primeiro grande amor conjugal, real ou ilusório, no entanto, insubstituível… perda irremediável no livro e na vida. Com a maturidade de um centenário bem vivido ou morrido em vida, os motivos de tal perda não importam, sabiamente nunca importaram, todavia, os resultados sim, estes são determinantes no desconstruir de um família que míngua, que quase não existe, mas insiste, por um fio, por um filho, herdeiro das desgraças aventureiras ou desconectadas de amores próprio e verdadeiro.

    E eu, depois de muito perguntado e chorado, agora claramente lido e identificado, concordo profundamente, pouco importa o por quê do abandono do outro, o que consequentemente me respira é a luta de não permitir outros abandonos, por outrem, dificultando (ou facilitando) relações de intimidade… ou por mim mesma, reconstruindo-me ou apenas não me destruindo em histórias imediatamente ou homeopaticamente fatais.

    Do leite que fede em minhas mãos, porém, que as hidrata, fica a certeza de que haverá mesmo eventos familiares que não serão lidos nas cartas que batem à porta atrasadas, mesmo que sejam totalmente experimentados visceral e inconscientemente, passados de passado em presente, como presentes gregos, através das gerações.

    Numa atitude prática, além do gosto de leite que não gosto, e da certeza que bom para um ser é ser amamentado por sua mãe e beber do leite de suas raízes e espécie e em sua infância, ruim para uma criatura é carregar o primeiro nome de seus antepassados (posto que já e ainda bem que contém os outros sobrenomes que a enraiza), como se isso ressaltasse a obrigação de fazer o tudo de bom que o antecessor fez e aprimorar o que de ruim marcou aquele nome. Eu não repetiria nomes de família em herdeiros. Chico confirma-me meu ideal de modo lindo, onde o cara já não sabe se é o pai ou o avô ou bisa ou tataravô, porque também não sabe quem é aquele que está a sua frente portando o nome próprio dele, mesmo que saiba que tem um pouco de cada. E isso já é fato suficiente, somos um pouco de cada sangue que nos passou no passado, mas somos únicos e diferentes também, necessitamos ser próprios, proprietários de nossas vidas, tendo nosso próprio nome próprio, nossa própria missão e digital.

    E dentre tantas frases em mim destacadas, outras tantas reflexões a serem realizadas com o tempo, uma dita não só por Chico, mas entre milhares, “Pai rico, filho nobre, neto pobre”, de que riquezas, ele ou eu ou você fala, planta e colhe? Quantos iniciaram com muitos bens materiais e marcaram seus descendentes pela falta dos mesmos? E quantos que começaram ricos somente de afetos se materializaram nas grandes somas lavradas em testamento? Talvez, a minha escolha e a sua (?) passe por isso. Eu escolho deixar para meu filho mais afeto que dinheiro, até porque recebi de meus pais também mais afeto do que dinheiro e desejo ao meu filho mais e mais afeto e mais dinheiro… sei lá… fico com o nó dessa mistura ainda em mim confusa.

    Despeço-me com a certeza de que meus eventos históricos marcantes (conscientes e inconscientes) me acompanharão por todo o meu viver, reinventando-me, derramando-me, a cada repassagem de recordação, porque reler um livro é também ver com outros olhos linhas que passaram desapercebidas ou foram diferentemente interpretadas…

    Obrigada meus queridos Mauro e Chico Buarque,
    Foi e ainda é maravilhosa a leitura de Leite Derramado.

  51. Júlio,

    Acabei de ler Leite derramado. Não foi fácil de terminá-lo. De fato, o protagonista é mais batido do que calça jeans. Nada a acrescentar na sua crítica. Aliás, há mesmo uma remota semelhança com Roth. Mas Rotlh é um estilo.
    Vejo muitos comentários no seu blog. Não o conhecia. Li apenas dois, um elogioso e um malcriadamente provocativo. A crítica é uma forma de refinar a produção artística. Não interessa quem escreveu o livro. Interessa o texto. O texto Leite derramado é primário.

    Abraço, Cida

    • Cida,
      tudo bem?
      ‘Malcriadamente provocativo’ é o comentário sobre ‘Leite derramado’?
      A crítica, acho, é sempre exercício de leitura.
      Abraços,
      Júlio

  52. As letras de Chico são indubitavelmente geniais. E genial não é uma palavra que deva ser usada levianamente. Talvez esse seja justamente o maior problema de Leite Derramado. Se o livro fosse lido como o romance de um autor desconhecido, ele seria um livro fabuloso. O problema é que o livro não foi escrito por um desconhecido. Foi escrito por Chico Buarque. E por isso esperava-se a mesma genialidade no romance que podemos ler e escutar nas letras de suas músicas. E, ainda que a linguagem truncada, os aspectos históricos e a escrita em geral seja interessante, Leite Derramado não é genial, chegou até ser chato e repetitivo em certos pontos. Não é um equivalente literário das músicas do compositor. E esse fato decepciona. Além disso, a repetição que acompanha todo o desenvolvimento da trama, embora eficaz para retratar o estado de embaralhamento da mente do ancião, pelo menos para mim, foi penoso ler até o final.

    • Thiago,
      obrigado por seu comentário.
      Como já disse antes, acho o livro bom.
      Toda a divulgação do livro – incluída a divulgação extraoficial das resenhas desmedidamente laudatórias – pretendeu transformá-lo numa obra prima, o que nem de longe é.
      Abraços,
      Júlio

  53. O livro “Leite Derramado” para mim não é nem um bom livro. O enredo, um velho contando a história de sua vida, é batida e vários outros autores já escreveram desse jeito. A descrição dos personagens é superficial, falta densidade psicológica. A história se repete em vários trechos. O livro é, portanto, muito maçante. A bronca de todo mundo que critica esse livro e seu autor é porque, por se tratar de Chico Buarque, as pessoas elogiam qualquer coisa que ele faça (e os editores se aproveitam disso para vender mais). Pelo amor de Deus, vamos parar com isso!

    • Marta,
      tudo bem?
      Acho que o livro é bem resolvido, apesar de comum. E a celebração exagerada, claro, complica tudo.
      Abraços,
      Júlio

  54. Olá Julio.

    Não concordo com os seus comentarios. Não vou entrar no merito tecnico, apenas dizer que acho espantoso o que Chico faz com as palavras. O livros são obras de arte da confusão que é a mente humana. Ninguem tem certeza de nada. Tempos passam e ainda temos nossos medos e não achamos respostas para quase nada que sofremos e enchergamos. Ele, talvez, chegou o mais proximo da verdade. O modo como escreve não há igual em nenhum outro autor. O que vejo em Chico é simplesmente a verdade e não comercial ou pop, sei lá como está dizendo. A midia faz seu papel, porque é a midia. Como controlar? O fato é que ele é o maior escritor brasileiro, o mais verdadeiro e pé no chão. É uma honra, poder abrir a mente a essa nova ideia de Chico Buarque e entender um pouco melhor a vida. Porque é isso que ele propoe. Essa é minha opinião.
    Abraço.

  55. Resenha irônica, gostei rs Nao li o livro, tá na lista,lá no antepenultimo lugar, rs porque ainda nem li Carlos Fuentes…..rs
    Uma coisa merece respeito, convenhamos: mesmo com todos os clichês, com a facilidade das tecnicas narrativas e temporais, poucos são os que conseguem fazer até isso…rs
    Abraços.

    • Valéria,
      tudo bem?
      Obrigado por seu comentário.
      Claro. Os livros de Chico Buarque estão acima da média do que é produzido em ficção no Brasil hoje.
      Abraços,
      Júlio

  56. como primeira coisa disculpe meu portugues; sou italiano, nao falo nem escrevo bem, e ainda assim procuro lhe escrever. gosto muito de chico buarque cantautor, e sempre achei que como escritor è bom sim, mas com muitos defeitos, muito melhor na arte de usar as palavras e construir um discurso fluido e com charme do que na de construir narraçoes potentes. li o livro em portugues, coiwsa que me costou muito, e por isso também pensei não ter podido apreciar toda a complexidade da ovra, mas como jà outras vezes fiquei um pouco insatisfeito. queria lhe dar meus parabens por uma critica tao precisa, clara e inteligente. Uma coisa sò: voce realmente acha o livro de Carlos Fuentes tão superior a este? Se calhar por o feito de ter sido escrito muito antes, mas sempre achei que tem muitos dos defeitos que tem o chico: grande fabulador mas sempre um pouco mais vazio do que parece

    • Diego,
      tudo bem?
      Obrigado por seu comentário.
      O livro de Fuentes talvez soe um pouco mais frágil hoje, depois de tantos imitadores que teve. Na época da publicação foi bastante inovador e, mesmo atualmente, demonstra uma força narrativa incomum.
      Abraços,
      Júlio

  57. Primeiro: essa foi a única, eu disse única!, crítica inteligente que Leite Derramado recebeu. E a mais justa, diga-se de passagem. o velho d’Assumpção só não é mais inconcebível por que é impossível imaginar uma criatura daquelas ( digo no meu caso, um leitor comum). obrigado por sua resenha bem humorada e calcada no que foi escrito e não no mito da MPBosta.

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