Jabuti 2008

 

Saiu ontem a lista dos premiados do Jabuti 2008.

 

Ele abre a temporada de premiações literárias. Ainda virão o Portugal Telecom e o novo Prêmio São Paulo de Literatura.

 

O Portugal dá um dinheiro bom para o vencedor: 100 mil reais para o primeiro colocado. O São Paulo vai mais longe e duplica: 200 mil para o melhor romance de escritor não-estreante e mais 200 para o de melhor estreante.

 

O Jabuti não paga tanto, mas tem uma reputação já consolidada. Esta foi a edição 60 do prêmio e, entre os vencedores das 59 anteriores, tem gente muito boa.

 

Prêmios – em qualquer âmbito – são necessários. Seus resultados podem ser equivocados? Podem. Cometer injustiças? Claro: há diversos exemplos. Mas mesmo assim são necessários.

 

Porque dão destaque à produção daquela área. Porque servem como referência do que uma época produz (e isso inclui os erros que comete nas avaliações). E porque valorizam autores e obras (no caso, dos prêmios livrescos) que merecem e devem ser reconhecidos.

 

Veja alguns premiados desse Jabuti 2008.

 

O extraordinário livro de Leda Tenório da Motta sobre Proust, vencedor na categoria Crítica e Teoria Literária: Proust, a violência sutil do riso.

 

O belo, tocante e (em vários sentidos) vitorioso romance de Cristóvão Tezza, O filho eterno.

 

Ou o estudo de Sergio Paulo Rouanet sobre Machado, terceiro colocado na categoria em que Leda venceu.

 

Todos excelentes, importantes. Marcaram 2007.

 

O segundo e o terceiro colocados na categoria Romance também são bastante bons. O sol se põe em São Paulo pode não ser o melhor de Bernardo Carvalho, mas é muito superior à maioria do que se escreve hoje no Brasil. E Antonio é o melhor romance que Beatriz Bracher já escreveu.

 

O mesmo vale para a ótima (e necessária) biografia de D. Pedro II por José Murilo de Carvalho, segunda colocada na categoria Biografia. E para a tradução que Joaquim Brasil Fontes fez de Hipólito e Fedra, vencedor em Tradução. E, ainda, para Ivan Junqueira e Paulo Henriques Britto, primeiro e terceiro colocados em Poesia.

 

Podemos discordar de algumas premiações? Lógico. Discordo de várias. Mas isso também faz parte do jogo. As premiações são importantes também para provocar esses debates.

 

Agora, resta esperar pela escolha do “Livro do ano de ficção” e do “Livro do ano de não-ficção”. Mas eles só serão divulgados na cerimônia de entrega dos troféus-quelônios. Aguardemos.

 

Três premiados foram comentados em Paisagens da Crítica. Abaixo, os links. E também o link para a página da Câmara Brasileira do Livro, com a lista completa de obras premiadas.

 

– sobre Proust, a violência sutil do riso, de Leda Tenório da Motta:

http://paisagensdacritica.zip.net/arch2007-12-16_2007-12-22.html

 

sobre O filho eterno, de Cristóvão Tezza:

http://paisagensdacritica.zip.net/arch2007-09-23_2007-09-29.html

 

– sobre O sol se põe em São Paulo, de Bernardo Carvalho:

http://paisagensdacritica.zip.net/arch2007-04-01_2007-04-07.html

 

– relação completa dos premiados pelo Jabuti 2008: http://www.premiojabuti.com.br/BR/resultadofase2.php

4 pensamentos sobre “Jabuti 2008

  1. excelente matéria. o que acho bom das premiações é que voltam a falar de livros após os seus lançamentos e estimulam suas leituras. questionáveis sempre são, porque cada um tem um olhar sobre as obras. beijos, pedrita

  2. Obrigado, Pedrita.
    Esse é mesmo um dos pontos positivos das premiações: elas permitem revisitar os textos lidos ou conferir os que passaram despercebidos.
    Beijos,
    Júlio

  3. Oi Julio,

    Gostei muito de ver o resultado do Jabuti ser comentado no blog: a gente fica acompanhando as premiações e sente vontade de bater um papo sobre modas, modismos, percursos de cada autor… Gostei de ver Tezza premiado, apreciei bastante “Uma noite em Curitiba”, dele também… beijos Stefania

  4. Stefania,
    tudo bem?
    Comentei por sugestão de um aluno-leitor.
    Você tem razão: sempre dá vontade de discutir um pouco os resultados does prêmios.
    E a premiação de Tezza é merecida, sim. O filho eterno é um livro bastante especial.
    Beijos,
    Júlio

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