<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss" xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#" xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
	>

<channel>
	<title>Paisagens da Crítica</title>
	<atom:link href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com</link>
	<description>por Júlio Pimentel Pinto</description>
	<lastBuildDate>Wed, 11 Jan 2012 11:17:24 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-br</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.com/</generator>
<cloud domain='paisagensdacritica.wordpress.com' port='80' path='/?rsscloud=notify' registerProcedure='' protocol='http-post' />
<image>
		<url>http://s2.wp.com/i/buttonw-com.png</url>
		<title>Paisagens da Crítica</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com</link>
	</image>
	<atom:link rel="search" type="application/opensearchdescription+xml" href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/osd.xml" title="Paisagens da Crítica" />
	<atom:link rel='hub' href='http://paisagensdacritica.wordpress.com/?pushpress=hub'/>
		<item>
		<title>Daniel Piza</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2012/01/09/daniel-piza/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2012/01/09/daniel-piza/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Jan 2012 16:01:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Daniel Piza]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=624</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Dia trinta e um de dezembro de 2011, eu estava viajando quando, de repente, resolvi entrar no twitter e levei o pior susto do ano: Daniel Piza havia morrido. &#160; Antes de ficar triste e inconformado —o que estou até hoje e dificilmente vai passar—, senti um profundo estupor. &#160; Fazia muitos anos que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=624&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Dia trinta e um de dezembro de 2011, eu estava viajando quando, de repente, resolvi entrar no twitter e levei o pior susto do ano: Daniel Piza havia morrido.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Antes de ficar triste e inconformado —o que estou até hoje e dificilmente vai passar—, senti um profundo estupor.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Fazia muitos anos que lia sua coluna. Primeiro, na <em>Gazeta Mercantil</em>; depois, no <em>Estado</em>. De todas as leituras de jornal era provavelmente a que mais me agradava.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Quando seu excelente <em>Questão de gosto</em> foi publicado, em 2000, li com prazer incomum, concordei e discordei, celebrei sua existência.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Na contramão de tantos críticos, alguns respeitáveis e outros nem tanto, gostei bastante de sua biografia de Machado de Assis —<em>Machado de Assis, um gênio brasileiro</em>—, lançada em 2005.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Havia, em Daniel, algo incomum nos dias de hoje. Ele era um crítico com suficiente rigor e, ao mesmo tempo, sem os vícios e jargões acadêmicos. Conciliava, no seu texto, a densidade de uma boa análise e a fluidez de quem pretende ser lido por todos, de quem não deseja dialogar apenas com meia dúzia de gatos pingados.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Em 2003 ou 2004, escrevi a ele e perguntei se podia lhe enviar cópia de um livro que iria publicar. Ele permitiu. Consultei-o, depois da leitura, sobre a possibilidade de ele escrever a orelha. Sem jamais ter me encontrado, aceitou. Estava ali o sujeito que acredita nas pessoas por aquilo que escrevem, algo também raro.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">De lá para cá, trocamos algumas mensagens, mas jamais o conheci pessoalmente. Não por falta de oportunidade. Certa vez, tomava café com um amigo comum, numa livraria, e, ao ver Daniel ao longe, ele se ofereceu para nos apresentar. Recusei.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Nos últimos dois anos, eu o encontrava semanalmente na porta da escola de teatro em que nossas filhas estudam —são colegas de turma e amigas. Nos cumprimentávamos cortesmente, pais unidos na tarefa prazerosa de cuidarmos de nossas meninas. Bicho do mato convicto, eu nunca disse meu nome ou me apresentei.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Quando li a notícia de sua morte, lamentei que não tivéssemos jamais conversado ao vivo. Mas isso não tinha mais importância. O pior acontecera. Todos havíamos perdido o jornalista sério, criterioso, dedicado, honesto.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Havíamos perdido um leitor de primeira e, meu Deus, como fará falta.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>*</strong></span></p>
<p><span style="color:#808000;">para ler resenhas de livros de Daniel Piza publicadas em <em>Paisagens da Crítica</em>, clique nos títulos dos livros:</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><em><a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2005-12-25_2005-12-31.html" target="_blank">Machado de Assis, um gênio brasileiro</a></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><em><a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2007-11-18_2007-11-24.html" target="_blank">Contemporâneo de mim</a></em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">E a orelha que ele escreveu para meu <em>A leitura e seus lugares</em> está <a href="http://www.danielpiza.com.br/interna.asp?texto=1727" target="_blank">aqui</a>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/624/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/624/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=624&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2012/01/09/daniel-piza/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Máscaras, de Leonardo Padura Fuentes</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/11/15/mascaras-de-leonardo-padura-fuentes/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/11/15/mascaras-de-leonardo-padura-fuentes/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 11:29:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cuba]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo Padura Fuentes]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Hispano-Americana]]></category>
		<category><![CDATA[Narrativa policial]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=621</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Máscaras revelou uma mágica que só a leitura faz: nos levar de volta a um livro e a um autor que antes nos desagradaram e alterar radicalmente a impressão. &#160; Três anos atrás, mais ou menos, eu li os livros de Leonardo Padura Fuentes publicados no Brasil. Saí com a certeza de que se [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=621&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong><em>Máscaras</em></strong> revelou uma mágica que só a leitura faz: nos levar de volta a um livro e a um autor que antes nos desagradaram e alterar radicalmente a impressão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Três anos atrás, mais ou menos, eu li os livros de Leonardo Padura Fuentes publicados no Brasil. Saí com a certeza de que se tratava de um autor que dominava bem as matrizes e estratégias do gênero policial, tinha texto fluido e ágil, e nada além disso. Um bom entretenimento, agradável, mas descartável. Traduzi minha opinião na resenha de um deles, publicada <a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2008/06/10/ventos-de-quaresma-de-leonardo-padura-fuentes/" target="_blank">aqui</a> no blog.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Eis que agora, em função de um trabalho que assumi, fui instado a reler todos os Padura traduzidos e um ou outro que ainda não receberam versão nacional. E tudo se modificou.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Comecei a releitura por <em>Máscaras</em>, de 1997, o terceiro volume da tetralogia “Quatro estações”, protagonizada pelo investigador Mario Conde —os demais volumes da série são <em>Passado perfeito</em> (1991), <em>Ventos de quaresma</em> (1994) e <em>Paisagens de outono</em> (de 1998, não publicado no Brasil).</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><em>Máscaras</em> propõe uma trama complexa em que figurões do regime cubano estão envolvidos num jogo de perseguições políticas, sexuais e dramas familiares profundos. Todos se travestem —se mascaram—, literal ou metaforicamente, num movimento ininterrupto de variações e instabilidades.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Padura percorre, por meio da ação de seu detetive, os abismos de uma Havana que já foi bela, das mais belas das Américas, e depois se afundou na deterioração e nas relações e nos vínculos clandestinos. Também a história dos últimos quarenta ou cinquenta anos cubanos ultrapassa a função cenográfica que, a princípio, parece ter e se torna personagem decisiva do enredo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Não cabe aqui discutir a dimensão diretamente política do livro —sempre secundária em relação ao exercício muito mais transfigurador da ficção—, nem a posição ambígua de Padura diante do regime. Cabe ressaltar a construção cuidadosa do universo íntimo de Mario Conde e seus amigos unidos em laços profundos e definitivos, o trabalho de assimilação da língua falada no texto escrito, a atualidade de uma narrativa policial que dialoga com as regras e os vícios do gênero, mas não se submete a eles.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Mágica é a leitura —e as revisitações, releituras de fato, que fazemos aos livros. Magia não de vara de condão ou correlato, mas a que mostra que nossa posição de leitor não é fixa, nosso tempo não é uno. Somos leitores da mesma forma que somos humanos: oscilantes, dotados de perspectivas provisórias, errantes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Por tudo isso, ao reler <em>Máscaras</em>, não apenas descobri um Padura que eu não tinha enxergado nas leituras anteriores; redescobri, sobretudo, o motivo de, há mais de quarenta anos, eu ter escolhido a leitura como profissão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Leonardo Padura Fuentes</strong>. <em>Máscaras</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 (original: 1997; tradução: Rosa Freire D’Aguiar)</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><sub> </sub></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/621/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/621/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=621&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/11/15/mascaras-de-leonardo-padura-fuentes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Os livros e os dias, de Alberto Manguel</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/10/14/os-livros-e-os-dias-de-alberto-manguel/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/10/14/os-livros-e-os-dias-de-alberto-manguel/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 14:09:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Leitura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=617</guid>
		<description><![CDATA[  Os livros e os dias é o título, no Brasil, de um livro que, no original, se chama Um diário de leituras. &#160; E assim se chama porque isso o é: Alberto Manguel resolveu reler um de seus livros favoritos por mês, ao longo de um ano (entre 2002 e 2003), e anotar suas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=617&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#808000;"><strong><em> </em></strong></span></p>
<p><span style="color:#808000;"><strong><em>Os livros e os dias</em></strong> é o título, no Brasil, de um livro que, no original, se chama <em>Um diário de leituras</em>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">E assim se chama porque isso o é: Alberto Manguel resolveu reler um de seus livros favoritos por mês, ao longo de um ano (entre 2002 e 2003), e anotar suas impressões de leitura. Trata-se, portanto, efetivamente de um diário — o que a alusão a Hesíodo, contida no título da edição local, pode apagar.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Há de tudo em suas escolhas: Bioy Casares, Wells, Kipling, Chateaubriand, Conan Doyle, Goethe, Grahame, Cervantes, Buzzati, Shonagon, Atwood, Machado de Assis. Num rápido balanço: duas mulheres, dez homens; um livro das literaturas alemã, brasileira, canadense, francesa, italiana e japonesa, dois da espanhola e quatro da inglesa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">A leitura de Manguel não se desconecta da vida vivida. Ele, aliás, alerta, já na apresentação, que “leitura é conversa” e, portanto, tramas e textos dos doze livros devem deixar brechas para a irrupção do quotidiano e de questões aparentemente extraliterárias. É assim que podem surgir considerações mais ou menos profundas sobre a recente ditadura argentina, o terrorismo internacional ou a “estupidez humana”.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Lembremos: é um diário, e duas das marcas desse tipo de escrita são exatamente a irregularidade e um possível vazio. Nem todos os dias, afinal, acontece algo memorável ou somos capazes de pensar e redigir um texto que ultrapasse o instante e o interesse pessoal e estrito. O leitor de diários sabe disso, aprendeu a tolerar banalidades e idiossincrasias.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">O fio —e o tema— dos livros ajuda a preencher as lacunas do cotidiano e o próprio Manguel reconhece os limites de seu texto, ao comentar, sobre Chateaubriand, que este fora o único escritor a fazer um diário não egocêntrico, logo, de interesse amplo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">A irregularidade do diário de Manguel se manifesta também nas anotações sobre livros. A parte sobre Machado, por exemplo, resume-se a generalidades e esquemas analíticos ultrapassados. O capítulo sobre Bioy finge desconsiderar a ampla fortuna crítica em torno de <em>A invenção de Morel</em>.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Mesmo no erro ou na superficialidade, o livro levanta temas decisivos: o lugar do leitor (ou, no caso, do re-leitor) e o movimento algo mágico da penetração recíproca entre livros e leituras —o quanto elas se imiscuem umas nas outras, a impossibilidade da “leitura virgem” (aquela que se supõe alheia a qualquer impressão prévia sobre o livro que inicia), a datação de toda leitura, seu tempo único e irreparável.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Ao apontar a complexidade de toda leitura e a necessidade de pensarmos sobre seus mecanismos internos, Manguel instiga o leitor, retorna ao tema principal de sua obra e pode abandonar julgamentos apressados sobre livros e autores.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Mais: nos permite lembrar que, afinal de contas, reler —como já sugeriu Calvino— nos ajuda a reavaliar, simultaneamente, o livro e nós mesmos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Alberto Manguel</strong>. <em>Os livros e os dias. Um ano de leituras prazerosas</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2005 (original: 2004; tradução: José Geraldo Couto)</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/617/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/617/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=617&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/10/14/os-livros-e-os-dias-de-alberto-manguel/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A elegância do Professor Belloto</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/09/23/a-elegancia-do-professor-belloto/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/09/23/a-elegancia-do-professor-belloto/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 23 Sep 2011 12:19:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem-categoria]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=613</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Elegância não é substantivo abstrato, nem comum. Ao contrário: nesse mundo cheio de vanglórias, elegância é rara e se manifesta em poucas circunstâncias e pessoas. Para mim, quem sempre a representou foi o professor Manoel Lelo Belloto. Quando comecei a estudar história da América Latina contemporânea, quase trinta anos atrás, a bibliografia era mínima [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=613&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Elegância não é substantivo abstrato, nem comum.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Ao contrário: nesse mundo cheio de vanglórias, elegância é rara e se manifesta em poucas circunstâncias e pessoas.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Para mim, quem sempre a representou foi o professor Manoel Lelo Belloto.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Quando comecei a estudar história da América Latina contemporânea, quase trinta anos atrás, a bibliografia era mínima e os especialistas, quase inexistentes.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Três ou quatro precursores se esforçavam, meio heroicamente, para criar, no Brasil, espaço e condições que tornassem possível a pesquisa e a formação de pesquisadores na área.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Um deles era o Professor Belloto, que dava aula no departamento de História da Unesp, campus de Assis, e estava presente em quase toda bibliografia que eu coletava.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Só vim a conhecê-lo pessoalmente muito tempo depois, em 1999. Era meu concurso de ingresso na Usp e ele estava na banca. Alto, de terno, modos suaves, palavras delicadas, raciocínio arguto, erudição, competência e gentileza aparentemente infinitas.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Mais doze anos se passaram antes que o reencontrasse. Final de 2010, ano passado, montava a banca de minha livre docência. Queria que ele estivesse presente, mas temia importuná-lo, convidando para um evento tão longo e fisicamente desgastante como um concurso desse.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Não resisti e lhe escrevi. Na resposta, imediata e marcada pela habitual simpatia, ele aceitava e abria sua agenda para “qualquer data”.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Entre os dias 13 e 15 de dezembro, ouvi suas arguições e comentários, vivi a honra de tê-lo como um dos primeiros leitores do trabalho mais importante de minha carreira.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Ele não pôde ir ao jantar que encerrou o concurso e, assim, nossa última conversa foi por email, nos dias que se seguiram à defesa.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Ontem, um comunicado da associação de historiadores informou o falecimento do professor Belloto. Comunicado igual a muitos outros, não fosse ele quem fosse.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Sentado na minha poltrona de leitura, repassei, na memória, imagens dele, folheei um ou outro livro, reli as anotações dos comentários que fez durante o concurso de 2010.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Lembrei que a elegância lhe parecia intrínseca. Elegância pessoal e intelectual, concreta e própria.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Hoje acordei mais frágil, mais vazio, miúdo.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Acho que todos que o conhecemos acordamos assim. Acordamos sobretudo bem menos elegantes.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/613/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=613&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/09/23/a-elegancia-do-professor-belloto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>A máscara da África, de V. S. Naipaul</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/08/22/a-mascara-da-africa-de-v-s-naipaul/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/08/22/a-mascara-da-africa-de-v-s-naipaul/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 22 Aug 2011 14:08:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[África]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos de viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Religiões]]></category>
		<category><![CDATA[V. S. Naipaul]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=609</guid>
		<description><![CDATA[  A máscara da África consegue agradar, paradoxalmente, a defensores e detratores de V. S. Naipaul, escritor trinidadino que ganhou o Nobel de Literatura de 2001. &#160; É fácil de entender. &#160; Para aqueles que acusam Naipaul de enxergar o mundo com olhos europeizados, de reproduzir visões e noções externas acerca da vida e dos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=609&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#808000;"><strong><em> </em></strong></span></p>
<p><span style="color:#808000;"><strong><em>A máscara da África</em></strong> consegue agradar, paradoxalmente, a defensores e detratores de V. S. Naipaul, escritor trinidadino que ganhou o Nobel de Literatura de 2001.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">É fácil de entender.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Para aqueles que acusam Naipaul de enxergar o mundo com olhos europeizados, de reproduzir visões e noções externas acerca da vida e dos rituais sociais em países pobres, o livro é uma nova oportunidade de reafirmar a distância que o autor mantém dos mundos que visita e relata.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Para quem considera Naipaul um dos poucos grandes escritores dos dias de hoje, a narrativa reúne algumas das principais qualidades de sua escrita: o texto fluido, conciso e bem construído, a precisão no manejo da língua, a exploração das possibilidades da descrição objetiva, a acuidade do olhar investigador e de sua tradução narrativa.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">É óbvio que me situo no segundo grupo. Óbvio, também, que considero limitada e intencionalmente restritiva a leitura ideológica que pauta boa parte da recepção a Naipaul. Um tipo de leitura que poderia ser explicada, embora dificilmente justificada, nos anos 1960; não hoje.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Em <em>A máscara da África</em>, Naipaul registra o resultado de uma viagem que durou meses (entre 2008 e 2009) e atravessou seis países da África: Uganda, Nigéria, Gana, Costa do Marfim, Gabão e África do Sul. O início por Uganda é simbólico; o escritor viveu lá na metade dos anos 60 e agora reencontra, espantado, o país que cresceu incrivelmente nos últimos cinquenta anos.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Seu tema central é a religiosidade — daí o subtítulo <em>Vislumbres das crenças africanas</em> —; por isso, a circulação privilegia lugares sagrados e as conversas com moradores locais valorizam a combinação de formas e experimentações da fé.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Inevitável, portanto, comparar com seus relatos de viagem a países islâmicos, como <em>Entre os fieis</em> (1981) ou <em>Além da fé</em> (1998). Em <em>A máscara da África</em>, no entanto, há mais matizes e possibilidades religiosas, mais camadas de tempo que se acumulam na constituição da atual e multifacetada percepção do sagrado.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">E, na contramão do que tantas vezes dizem os detratores, nada é esquemático no olhar de Naipaul. A ânsia com que busca as informações, com que analisa cada passo e espaço denota uma visão aguda e interessada em percorrer e compreender o mundo alheio.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Num tempo em que o politicamente correto se traduz na aceitação de tudo — tempo em que a ideologia imprecisa e usualmente enganosa do ‘multiculturalismo’—, a capacidade crítica declina. Abrimos mão da interpretação em nome de um suposto respeito à diversidade; respeito tantas vezes falso, que não existe na prática e se limita à constatação da existência abstrata do ‘outro’.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Naipaul sabe que, para de fato reconhecer a diferença, é preciso definir a própria perspectiva, expô-la com clareza, assumi-la; evitar o posicionamento ambíguo e exercer a crítica — atividade fundamental para a compreensão.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">O leitor de <em>A máscara da África</em> pode, assim, percorrer as plurais crenças africanas através dos olhos de Naipaul. Mas pode, com facilidade, recorrer ao que ele mostra e construir seus próprios significados, estabelecer sua visão particular. E pode, ainda, desfrutar de um relato de viagem amplo, muito bem concebido e desenvolvido, algo hoje incomum.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>V. S. Naipaul</strong>. <em>A máscara da África. Vislumbres das crenças africanas</em>. São Paulo: Companhia das Letras, 2011 (original: 2010; tradução: Marcos Bagno)</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/609/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/609/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=609&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/08/22/a-mascara-da-africa-de-v-s-naipaul/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Capital da ficção</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/06/22/capital-da-ficcao/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/06/22/capital-da-ficcao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 11:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jan Neruda]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Sant'Anna]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=607</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Na Ilustríssima de domingo, dia 19/6, &#8216;Capital da ficção&#8217;: resenha sobre Malá Strana. Vestígios de Praga, de Jan Neruda, e O livro de Praga, de Sérgio Sant&#8217;Anna. Clique aqui para ler. &#160; &#160;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=607&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Na <strong>Ilustríssima</strong> de domingo, dia 19/6, &#8216;Capital da ficção&#8217;: resenha sobre <em>Malá Strana. Vestígios de Praga</em>, de Jan Neruda, e <em>O livro de Praga</em>, de Sérgio Sant&#8217;Anna. Clique <a href="http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/il1906201106.htm" target="_blank"><span style="color:#808000;">aqui</span></a> para ler.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/607/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/607/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=607&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/06/22/capital-da-ficcao/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>25 anos sem Borges</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/06/16/25-anos-sem-borges/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/06/16/25-anos-sem-borges/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Jun 2011 20:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Jorge Luis Borges]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=605</guid>
		<description><![CDATA[&#160; No Painel de Letras, da Josélia Aguiar, um poema para os 25 anos da morte de Borges não passarem em branco.  &#160; &#160;<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=605&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">No <strong><a href="http://paineldasletras.folha.blog.uol.com.br/arch2011-06-12_2011-06-18.html#2011_06-16_12_48_31-160637125-25" target="_blank">Painel de Letras</a></strong>, da Josélia Aguiar, um poema para os 25 anos da morte de Borges não passarem em branco. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/605/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/605/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=605&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/06/16/25-anos-sem-borges/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Máfia, de Petra Reski</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/05/16/mafia-de-petra-reski/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/05/16/mafia-de-petra-reski/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 May 2011 13:15:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Máfia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=601</guid>
		<description><![CDATA[Máfia. Padrinhos, pizzarias e falsos padres é um livro irregular. Tem grandes méritos e diversos problemas. Foi escrito por Petra Reski, jornalista alemã, com objetivo claro: alertar para a ampla penetração da máfia na Alemanha. O tema é espinhoso. Ninguém duvida que a máfia atue fortemente na Itália, nos Estados Unidos, na Espanha ou no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=601&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="color:#808000;"><strong><em>Máfia. Padrinhos, pizzarias e falsos padres</em></strong> é um livro irregular. Tem grandes méritos e diversos problemas.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Foi escrito por Petra Reski, jornalista alemã, com objetivo claro: alertar para a ampla penetração da máfia na Alemanha.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">O tema é espinhoso. Ninguém duvida que a máfia atue fortemente na Itália, nos Estados Unidos, na Espanha ou no Reino Unido. A Alemanha, porém, sempre negou a presença do crime organizado em seu território. Ou seja, mais do que espinhosa, a questão traz um histórico de omissões e discursos oficiais que a rejeitam.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Feito para incomodar, o livro incomodou. Esse talvez seja seu maior mérito. Prova disso é o fato de que algumas pessoas citadas recorreram à justiça alemã e conseguiram a aplicação de tarjas pretas sobre vários trechos da obra.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Outro mérito vem da pesquisa, grande, que a autora fez e que ajuda a revelar casos polêmicos. Ela se mostra igualmente atualizada em relação ao debate sobre o funcionamento das várias organizações mafiosas italianas e a divisão de papeis no atual cenário do crime mundial.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Exatamente por isso, Reski privilegia a ‘Ndrangheta, da Calábria, principal responsável pelo tráfico de drogas na Europa. A ‘Ndrangheta é menos famosa do que suas correlatas napolitana (Camorra) ou siciliana (Cosa Nostra), mas igualmente poderosa e, diz Reski, a mais influente na Alemanha.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">O livro tem outros pontos positivos. Esclarece, por exemplo, antigos equívocos na interpretação histórica acerca do papel da máfia, que continua a ser vista por muitos (e mal informados) autores como um exemplo de resistência popular à imposição do Estado italiano — mesmo um autor respeitável, Eric Hobsbawm, já defendeu tal ideia.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Reage à mistificação que parte da mídia construiu em torno do mundo do crime e lembra que as grandes organizações hoje se dedicam a atividades econômicas legais, como o turismo, ou concentram seus esforços na obtenção de recursos públicos por meio de licitações fraudulentas.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Reski apresenta, sobretudo, uma visão moderna do lugar atual da máfia, bem distante do que encontramos nas telas dos cinemas.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">No entanto, o lado bom do livro acaba prejudicado pela superficialidade com que alguns temas são tratados. A reurbanização de Palermo, no final dos anos 1980, por exemplo, obra da única prefeitura anti-máfia que a cidade já teve, é mencionada apenas passageiramente; perde-se, assim, a oportunidade de discutir a importância de ações que atingem o funcionamento quotidiano das organizações.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Toda a Sicília que a autora apresenta é, no fundo, superficial. Paisagens e pessoas surgem filtradas por um olhar turístico: o mesmo tantas vezes usado na mitificação da máfia e de seus supostos vínculos populares.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Também a ‘Ndrangheta, personagem principal, é citada incontáveis vezes, mas sua atuação quase não é documentada. Infere-se que a autora tenha a comprovação do que diz, mas — fora as referências aos óbvios e necessários relatórios da Comissão Antimáfia italiana — quase nada aparece para sustentar sua argumentação.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Para completar, a tradução e a edição brasileiras erram mais do que seria aceitável: erros de concordância, ortografia e sintaxe recheiam o livro, prejudicando a leitura.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">No conjunto, porém, o livro vale a leitura. No mínimo, pela própria disposição — e, quando se trata de máfia, não custa lembrar: pela coragem — de denunciar algo quase sempre negligenciado. No máximo, pelas pistas que dá para um estudo mais sistemático da organização criminosa italiana que menos se conhece fora da Itália e que é tão nociva quanto as demais.</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Petra Reski</strong>. <em>Máfia. Padrinhos, pizzarias e falsos padres</em>. Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2010 (original: 2008; tradução: André Delmonte)</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/601/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/601/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=601&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/05/16/mafia-de-petra-reski/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Então você quer ser escritor?, de Miguel Sanches Neto</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/04/07/entao-voce-quer-ser-escritor-de-miguel-sanches-neto/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/04/07/entao-voce-quer-ser-escritor-de-miguel-sanches-neto/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 07 Apr 2011 15:38:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Miguel Sanches Neto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=597</guid>
		<description><![CDATA[&#160; Então você quer ser escritor? é um livro de duplos. Em primeiro lugar, porque reúne contos. A forma breve, por definição, traz pelo menos duas histórias: a que segue visível na superfície e outra, subterrânea, discreta, iminente. Segundo, e principal: esses dezesseis relatos de Miguel Sanches Neto mostram impasses, conflitos, dessemelhanças. “Sangue” nos fala [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=597&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong><em>Então você quer ser escritor?</em></strong> é um livro de duplos.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Em primeiro lugar, porque reúne contos. A forma breve, por definição, traz pelo menos duas histórias: a que segue visível na superfície e outra, subterrânea, discreta, iminente.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Segundo, e principal: esses dezesseis relatos de Miguel Sanches Neto mostram impasses, conflitos, dessemelhanças.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">“Sangue” nos fala do banal e do visceral; “Árvores submersas”, de grandeza e ridículo; “Animal nojento”, de afeto e angústia; “O tamanho do mundo”, de esperança e desconsolo; “Não comerás carne”, de redenção e angústia.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">“Duas palavras” é épico e patético, combina ficção e história. “Manga verde com sal” sugere os tempos da vida: dois, muitos. “Redentor” mostra o dentro e o fora de cada um; “O último abraço”, bandeiriano, trata da vida que podia ter sido e da que foi.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">“Na minha idade” contrasta realidade e irrealidade e “Seios de menino”, por meio da ambiguidade sexual, confunde passado e presente. “Jogar com os mortos” combina a iminência do sexo e os contrastes sociais. “Andar de bicicleta” é o jogo da visão contra cegueira, dos vivos e dos mortos.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">“Para o seu bem” revela a vida na margem — espaço híbrido de pertença e desconexão. A regularidade e a mudança, ficar e partir, o miúdo e o universal compõem “Vestindo meu avô”. Finalmente, o conto que intitula o livro traça com ironia a crueza do trabalho ficcional, duplo por princípio, artístico ou ridículo, verdade e engano.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Mais do que o conteúdo cognitivo e conjuntural de cada conto, a duplicidade é estratégia narrativa. Miguel Sanches Neto investe na variedade de registros, linguagens e estruturas, desenha as histórias e revisita, aqui e ali, temáticas e preocupações estéticas de livros anteriores. Assegura assim a organicidade da obra e, ao mesmo tempo, afirma sua tensão interna.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Além disso, contar contos já sugere, no Brasil de hoje, uma posição algo assincrônica: por algum motivo, a maioria dos autores nacionais chegou à conclusão de que o país precisa de romances, abandonou a forma breve e passou a nos brindar com enxurradas de literatura prolixa, medíocre e diluída.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">No conto, ao contrário, tudo visa à precisão, ao detalhamento. É assim que o prosaico se torna significativo, que ganhos e perdas jamais são despidos de complexidade. É assim que os duplos revelam aquilo que de fato são: uma percepção do outro e outra percepção de si.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Certo historiador torinês falou, anos atrás, que essa é a contribuição decisiva da ficção, seu impacto capaz de ultrapassar a fronteira (obviamente porosa) do literário: ela dá a distância, o prumo, a referência de um olhar que não se contenta com a própria perspectiva e precisa encontrar outras, confrontar(-se), desconfortar.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Os leitores que percorrem os relatos de <em>Então você quer ser escritor? </em>ressurgem assim da leitura: sabem que passearam pelos meandros da construção ficcional e sabem, também, que interpretaram um pouco mais, e melhor, outra ficção: a da vida.</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Miguel Sanches Neto</strong>. <em>Então você quer ser escritor?</em> Rio de Janeiro: Record, 2011</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><br />
</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Paisagens da Crítica</strong> publicou resenhas sobre outros oito livros de Miguel Sanches Neto.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Clique nos títulos dos livros para lê-las.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">—<em> <a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2006-08-13_2006-08-19.html" target="_blank">Venho de um país obscuro</a> </em>(15.8.2006);</span></p>
<p><span style="color:#808000;">—<em> <a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2006-08-27_2006-09-02.html" target="_blank">Um amor anarquista</a></em> (1.9.2006);</span></p>
<p><span style="color:#808000;">— <em><a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2006-10-08_2006-10-14.html" target="_blank">Chove sobre minha infância</a></em> (10.10.2006);</span></p>
<p><span style="color:#808000;">—<em> <a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2007-01-21_2007-01-27.html -" target="_blank">Impurezas amorosas</a></em> (23.1.2007);</span></p>
<p><span style="color:#808000;">— <em><a href="http://paisagensdacritica.zip.net/arch2007-08-05_2007-08-11.html -" target="_blank">Herdando uma biblioteca</a> </em>(10.8.2007);</span></p>
<p><span style="color:#808000;">—<em> </em><em><a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2008/09/01/a-primeira-mulher-de-miguel-sanches-neto/" target="_blank">A primeira mulher</a> </em>(1.9.2008);</span></p>
<p><span style="color:#808000;">—<em> <a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2008/12/27/primeiros-contos-de-miguel-sanches-neto/" target="_blank">Primeiros contos</a> </em>(27.12.2008); <em> </em></span></p>
<p><span style="color:#808000;">—<em> </em><em><a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2010/05/22/cha-das-cinco-com-o-vampiro-de-miguel-sanches-neto/" target="_blank">Chá das cinco com o vampiro</a> </em>(22.05.2010).</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><br />
</span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/597/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/597/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=597&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/04/07/entao-voce-quer-ser-escritor-de-miguel-sanches-neto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>8</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>O passado é uma terra estrangeira, de Gianrico Carofiglio</title>
		<link>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/03/30/o-passado-e-uma-terra-estrangeira-de-gianrico-carofiglio/</link>
		<comments>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/03/30/o-passado-e-uma-terra-estrangeira-de-gianrico-carofiglio/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Mar 2011 14:57:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>blog</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gianrico Carofiglio]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Italiana]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://paisagensdacritica.wordpress.com/?p=595</guid>
		<description><![CDATA[O passado é uma terra estrangeira é forte, desconfortável e intenso desde o título: uma declaração de não pertença a si mesmo, de desenraizamento, perda. &#160; Gianrico Carofiglio, juiz e escritor barês, apresenta a trajetória de Giorgio e Francesco, tornados íntimos por uma amizade improvável e, paradoxalmente, óbvia. &#160; Giorgio é filho dileto e exemplar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=595&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> </strong></p>
<p><span style="color:#808000;"><strong><em>O passado é uma terra estrangeira</em></strong> é forte, desconfortável e intenso desde o título: uma declaração de não pertença a si mesmo, de desenraizamento, perda.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Gianrico Carofiglio, juiz e escritor barês, apresenta a trajetória de Giorgio e Francesco, tornados íntimos por uma amizade improvável e, paradoxalmente, óbvia.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Giorgio é filho dileto e exemplar de uma família de classe média. Cumpre, com sua dedicação aos estudos, o destino que os pais queriam para si mesmos. Está prestes a terminar com louvor a faculdade de direito e se prepara para concurso de ingresso na magistratura. Então conhece Francesco.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Jogador exímio de pôquer, Francesco vive desgarrado. Troca o dia pela noite, circula — literal e metaforicamente — nas sombras, vive de pequenos golpes e grandes divagações.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Jovens de dois mundos, a aproximação entre eles tem toques sensuais jamais confessados e um evidente fascínio pela diferença — especialmente Giorgio, que vê o submundo para onde Francesco o leva com a admiração de quem supõe ter vivido sempre entre máscaras e aparências.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">A progressão da amizade provoca efeitos devastadores no quotidiano de Giorgio; Francesco, ligeiramente apático em relação aos afetos, mantém distância e frieza. A mesma frieza que lhes permite ganhar dinheiro fácil em mesas ricas de pôquer e lançá-los numa vertiginosa corrida em direção a ações mais ousadas e ilícitas.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">A voz que nos conta a história é a de Giorgio. O relato de sua convivência com Francesco chega do passado, em primeira pessoa, num fluxo descontínuo, mas cognoscível. O signo que prevalece — o título já alertara — é o do estranhamento: como relembrar algo que parece assim longínquo, que soa pertencente não a outra idade, mas a outra pessoa, a outro universo?</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">O leitor é embalado na tensão que o romance de Carofiglio constroi suave, mas incisivamente. Passa da obviedade dos opostos que se atraem à vertigem da narrativa cada vez mais acelerada, dos mistérios que se sucedem, de tudo que não se explica sobre o passado de Francesco.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Memória, terra estrangeira. Lugar de vazios, vagueza, indefinição. ‘Só é nosso o que perdemos’, explicou Borges, e a constatação amarga e consoladora justifica com precisão a forma como Giorgio evoca, tempos depois, o itinerário rumo à queda que ele e Francesco seguiram.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;">Porque as perdas — mesmo quando implicam aparentes ganhos posteriores — são definitivas, duram para sempre. E isso quem nos explica é Carofiglio neste que é de longe seu melhor livro.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Gianrico Carofiglio</strong>. <em>Il passato è una terra straniera</em>. Milão: RCS Libri, 2004.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="color:#808000;"><strong>Paisagens da Crítica</strong> publicou resenha sobre outros quatro livros de Gianrico Carofiglio. Sobre <em><a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2010/11/01/as-perfeicoes-provisorias-de-gianrico-carofiglio/" target="_blank">Le perfezione provvisorie</a></em>, em 01.11.2010, e uma resenha tripla (<em><a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2010/11/24/tres-livros-de-gianrico-carofiglio/" target="_blank">Testimone inconsapevole</a></em></span><a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2010/11/24/tres-livros-de-gianrico-carofiglio/" target="_blank"><span style="color:#808000;">, </span></a><span style="color:#808000;"><em><a href="http://paisagensdacritica.wordpress.com/2010/11/24/tres-livros-de-gianrico-carofiglio/" target="_blank">Ad occhi chiusi, Ragionevoli dubbi</a></em>), em 24.11.2010.</span></p>
<p><span style="color:#808000;">Clique nos títulos dos livros se quiser ler as resenhas.</span></p>
<p><span style="color:#808000;"><br />
</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/paisagensdacritica.wordpress.com/595/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/paisagensdacritica.wordpress.com/595/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=paisagensdacritica.wordpress.com&amp;blog=2755452&amp;post=595&amp;subd=paisagensdacritica&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://paisagensdacritica.wordpress.com/2011/03/30/o-passado-e-uma-terra-estrangeira-de-gianrico-carofiglio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
	
		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/616390fbc394780c01616f1a118af728?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">alhos &#38; passas</media:title>
		</media:content>
	</item>
	</channel>
</rss>
