Dia trinta e um de dezembro de 2011, eu estava viajando quando, de repente, resolvi entrar no twitter e levei o pior susto do ano: Daniel Piza havia morrido.
Antes de ficar triste e inconformado —o que estou até hoje e dificilmente vai passar—, senti um profundo estupor.
Fazia muitos anos que lia sua coluna. Primeiro, na Gazeta Mercantil; depois, no Estado. De todas as leituras de jornal era provavelmente a que mais me agradava.
Quando seu excelente Questão de gosto foi publicado, em 2000, li com prazer incomum, concordei e discordei, celebrei sua existência.
Na contramão de tantos críticos, alguns respeitáveis e outros nem tanto, gostei bastante de sua biografia de Machado de Assis —Machado de Assis, um gênio brasileiro—, lançada em 2005.
Havia, em Daniel, algo incomum nos dias de hoje. Ele era um crítico com suficiente rigor e, ao mesmo tempo, sem os vícios e jargões acadêmicos. Conciliava, no seu texto, a densidade de uma boa análise e a fluidez de quem pretende ser lido por todos, de quem não deseja dialogar apenas com meia dúzia de gatos pingados.
Em 2003 ou 2004, escrevi a ele e perguntei se podia lhe enviar cópia de um livro que iria publicar. Ele permitiu. Consultei-o, depois da leitura, sobre a possibilidade de ele escrever a orelha. Sem jamais ter me encontrado, aceitou. Estava ali o sujeito que acredita nas pessoas por aquilo que escrevem, algo também raro.
De lá para cá, trocamos algumas mensagens, mas jamais o conheci pessoalmente. Não por falta de oportunidade. Certa vez, tomava café com um amigo comum, numa livraria, e, ao ver Daniel ao longe, ele se ofereceu para nos apresentar. Recusei.
Nos últimos dois anos, eu o encontrava semanalmente na porta da escola de teatro em que nossas filhas estudam —são colegas de turma e amigas. Nos cumprimentávamos cortesmente, pais unidos na tarefa prazerosa de cuidarmos de nossas meninas. Bicho do mato convicto, eu nunca disse meu nome ou me apresentei.
Quando li a notícia de sua morte, lamentei que não tivéssemos jamais conversado ao vivo. Mas isso não tinha mais importância. O pior acontecera. Todos havíamos perdido o jornalista sério, criterioso, dedicado, honesto.
Havíamos perdido um leitor de primeira e, meu Deus, como fará falta.
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para ler resenhas de livros de Daniel Piza publicadas em Paisagens da Crítica, clique nos títulos dos livros:
Machado de Assis, um gênio brasileiro
E a orelha que ele escreveu para meu A leitura e seus lugares está aqui.
eu fiquei muito triste. ainda não me conformei. beijos, pedrita
Pedrita,
muito triste.
Beijos,
Júlio
Oi Julio, meu encantamento era o mesmo que o seu. Mesmo morando em Salvador, lia a coluna do Daniel todos os domingos e sempre esperava por elas.
Estava (estou) em Santa Catarina e meu susto foio mesmo. Nossa!
conversei com Giovana e disse a ela que alí perdia um amigo. Desses que a gente nâo sabe como nem porque invadem a sua vida e vcê se encanta, se decepciona, briga, pensa e, claro, sete saudades.
Ainda não voltei ‘a Salvador, mas acho que meus domingos serão um pouco diferentes.
Enfim, amigo, um grande abraço
Marcelo
Marcelo,
aquele efeito fabuloso que alguns textos têm de fazer com que nos sintamos próximos de quem escreve. Tão raro e tão bom.
Saudade de você, meu caro, muita saudade, daquela que é quase necessidade.
Beijos para você, Giovana (que absurdamente nem conheço pessoalmente), para os meninos,
Júlio
que bonita história entre vocês. um “nunca te vi sempre te amei” as avessas. um choque a morte tão precoce. Por que não me ufano vai fazer falta. Um beijo meu para você.
Carla querida,
ler comentário do Marcelo, aí embaixo, e em seguida seu… Duas pessoas tão queridas que não vejo há tanto tempo.
Pois é, a vida se faz de silêncios também, nem todos certeiros. Sabemos disso, não é?
Beijos,
Júlio